Três ciclistas sofrem acidentes no trânsito por dia no Espírito Santo

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu 622 ciclistas acidentados de janeiro a junho deste ano no Espírito Santo. O número representa uma média de três acidentes envolvendo bicicletas por dia.

Um desses acidentes resultou na morte do cinegrafista Ricardo Louro. Ele seguia para o trabalho na manhã dessa terça-feira (21) quando foi atropelado na Reta da Penha. Umas das principais vias de Vitória e que não tem ciclovia.

Para quem usa a bicicleta como meio de locomoção, transitar pela Reta da Penha é um problema.

“Aqui é difícil porque não têm ciclovia e eu tenho medo de andar na pista. Então, eu só vou na calçada”, contou a dona de casa Mauricéia Nogueira.

O assessor parlamentar Paulo Mendes disse que tem consciência das regras de trânsito e que costuma andar na pista e seguindo a mão do trânsito, mas que em alguns trechos de Reta da Penha, ele passa pela calçada.

“A calçada foi feita para o pedestre e não para o ciclista. Às vezes a gente passa na calçada, mas sabendo que não é o certo”, disse Paulo.

De acordo com o especialista em trânsito e representante do Movimento Capixaba para Salvar Vidas no Trânsito (Movitran), André Cerqueira, o número de mortes e acidentes do trânsito com ciclistas vem crescendo anualmente.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os óbitos passaram de 27, em 2017, para 37 no último ano. No primeiro semestre de 2020, foram 10 mortes.

Cerqueira acredita que a falta de infraestrutura das cidades é um dos fatores que contribui para o alto número de acidentes.

“Na série histórica, nós observamos que os atropelamentos de ciclistas seguidos de morte triplicaram do ano 2011 até o ano 2019, passando de 11 para 37 óbitos, segundo dados do observatório da Sesp. Esse dado nos preocupa”, alertou Cerqueira.

Ciclistas na Reta da Penha, em Vitória

A visão é compartilhada pelo presidente da Federação Espírito Santense de Ciclismo (FESC), Marcos Paulo Silva Duarte. Além do investimento na ampliação de ciclofaixas, ele defende o aumento de campanhas educativas sobre o uso compartilhado das avenidas.

“O grande desafio do ciclista na Grande Vitória é que não temos uma malha cicloviária eficiente. Além de ampliar, precisamos de medidas que garantam a segurança dos ciclistas. As ciclovias têm buracos, bueiros e até postes. Na falta dessas faixas, os ciclistas devem trafegar nas vias e os motoristas devem manter a distância de 1,5 metro ao ultrapassá-los. Precisamos também de campanhas educativas”, ressalta Duarte.

Além da ampliação da malha cicloviária como a recém inaugurada na Avenida Leitão da Silva, que é paralela a Reta da Penha, outra solução são as ciclorrotas, que são pinturas no asfalto e a instalação de placas alertando sobre o compartilhamento do espaço.

Placas indicam que vias são usadas por ciclistas em Vitória

De acordo com a secretária de Transportes, Trânsito e Infraestrutura de Vitória, Ana Elisa Nahas Amorim Pimentel, outras obras estão em andamento.

“A gente vai entregar agora a da avenida Vitória e vamos estudar todos os locais”, destacou Ana Elisa. Sobre a Reta da Penha, a secretária diz que existe o projeto de uma calçada compartilhada.

 

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