Taxa de transmissão do Coronavírus no Espírito Santo está abaixo de 1

Dado significa que 10 pessoas infectadas pelo coronavírus transmitem o vírus para menos de 10 pessoas, o que reduz o número de novos casos da doença no estado.

Secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, e subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, participaram de coletiva — Foto: Divulgação/Sesa

Em coletiva de imprensa realizada pelas redes sociais nesta sexta-feira (24), o secretário estadual de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, e o subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, declararam que a taxa de transmissão da Covid-19 no estado está abaixo de 1.

Isso significa que um grupo com 10 pessoas infectadas pelo novo coronavírus transmite o vírus para menos de 10 pessoas, o que pode fazer com que os números de casos e de mortes pela Covid-19 caia no estado.

“A nossa taxa média de transmissão da doença está ligeiramente abaixo de 1, mas ela oscila. Inclusive, dependendo de qual órgão faz essa análise, ela oscila, mas ela está ligeiramente abaixo de 1. Significa que na Grande Vitória ela é um pouco inferior, e no interior ela é um pouco acima de 1. E precisa reduzir mais, para que a incidência dos casos diminua”, pontuou Reblin.

Mesmo com a redução dessa taxa, o subsecretário enfatizou que a situação continua crítica no interior do estado, apesar de uma aparente estabilidade na Grande Vitória. Ele citou que cidades maiores do interior podem ser consideradas o atual epicentro da pandemia no estado.

“A situação da Grande Vitória é de estabilidade, com uma tendência de queda. No interior do estado, a maioria dos casos está localizado nas maiores cidades, como Cachoeiro, Colatina, Linhares, São Mateus. As cidades que têm a maior população concentram também o maior número de casos”, apontou.

Painel

O secretário de Saúde anunciou, também na coletiva, que o Painel Covid-19, sistema online do Governo do Estado que divulga diariamente informações sobre a pandemia, passará a apresentar a média móvel da doença, em um prazo de sete a 14 dias.

“Passaremos a apresentar a evolução da doença também por semana epidemiológica e a média móvel de sete e 14 dias, para que toda a população possa acompanhar a evolução da doença e tenha uma noção de como a Covid-19 tem se desenvolvido nos municípios e regiões do Espírito Santo. A média móvel corrige a diferença diária que ocorre especialmente nos fins de semana ou em dias em que ocorrem quedas bruscas de óbitos ou casos”, explicou Nésio.

Ocupação de leitos

O secretário da Saúde falou sobre a redução na ocupação de leitos hospitalares, que nesta semana se consolidou abaixo dos 80%. Para ele, esse percentual precisa ser ainda menor para que esses leitos sejam revertidos ao tratamento de outras doenças.

“Nesta semana, tivemos uma redução da ocupação dos leitos hospitalares, principalmente dos leitos de UTI. Essa ocupação se consolidou em uma faixa abaixo dos 80%, no entanto, ela ainda não chegou na faixa dos 60%, o que não nos permite reverter por completo os leitos dos hospitais que são referência para Covid para início de uma retomada gradual da oferta de leitos hospitalares para outras especialidades. No momento em que a ocupação baixar de 70%, começaremos a reversão pelo Hospital Dório Silva, para pacientes que apresentem outras condições de saúde”, explicou.

Volta às aulas

De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, o estado não deve autorizar o retorno às aulas no mês de agosto. A informação foi reforçada pelo governador Renato Casagrande (PSB) em pronunciamento realizado nesta sexta.

“Para agosto, é muito improvável o retorno às aulas”, declarou. “Temos que preparar essa volta com uma segurança plena, que vai da redução da taxa de transmissão, à redução de casos e óbitos e à preparação dos locais”.

Para Reblin, a volta às aulas só será segura se houver certeza da regressão da pandemia.

“Teremos um novo inquérito em agosto e, então, vamos pensar junto à secretaria de educação e todos os segmentos que representam esse setor para definir essas datas”, considerou.

Cloroquina

Novamente questionado sobre o uso da cloroquina, que recentemente foi declarada por uma pesquisa brasileira como ineficaz no combate à Covid-19, Nésio comentou que a discussão sobre esse medicamento já foi superada em países de primeiro mundo.

“Um assunto presente na pauta do país, apesar de já ter saído da pauta de quase todos os países avançados do mundo. É uma pauta que insiste em ser retomada no nosso país”, disse.

Ele explicou que a posição adotada para o protocolo do medicamento no estado está em sintonia com as pesquisas mais recentes.

“Meu posicionamento é claro: eu opino o que opinam os estudos científicos. Não há recomendação de uso da cloroquina nas fases iniciais ou tardias da doença. Não existem evidências que apontam que os pacientes tenham qualquer benefício com o uso desse medicamento. Por existir essa não recomendação, esse não benefício, os técnicos que subsidiam a nota técnica das condutas medicamentosas no estado continuam com esse pensamento”, afirmou.

Governo Federal tardou

Questionado a respeito do auxílio do Governo Federal, o secretário de Saúde considerou que a ajuda ao estado “tardou”.

“É importante dizer que o Governo Federal tardou em habilitar leitos para o Espírito Santo. No entanto, nós conseguimos ter habilitação recente de 400 leitos, com os respectivos envios dos recursos financeiros”, pontuou.

Nésio criticou o fato de o Governo Federal ter deixado de investir dois terços da verba destinada ao combate à pandemia do novo coronavírus em todo o país.

“O que existe hoje de crítica ao Ministério da Saúde é a não execução, ou uma execução inferior a 40%, no total de recursos disponíveis para enfrentamento à Covid. Isso é um alerta muito grande, porque além da crise derivada da pandemia, temos uma crise de receita e fiscal nos estados e municípios. Esses recursos que a União já destinou para o Ministério da Saúde, cumprem um papel fundamental para o reequilíbrio das contas públicas. A não execução, a não capacidade administrativa da liberação mais célere desses recursos, prejudica ações mais robustas no enfrentamento da pandemia e colabora para o desequilíbrio econômico e fiscal dos estados durante a pandemia”.

‘Não colapsamos’

Por fim, Nésio voltou a afirmar que o Espírito Santo não colapsou durante a pandemia.

“No Espírito Santo, nós achatamos a curva de crescimento de casos. Nós conseguimos preservar e salvar vidas, nós não colapsamos durante toda a pandemia. E precisamos garantir que essas práticas de gestão pública que nos trouxeram até este momento consigam preservar essas conquistas até o final da evolução da pandemia”, contou.

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