Sindicato dos Petroleiros denuncia contaminação e falta de testagem em plataformas no Espírito Santo

Sindipetro planeja acionar a Justiça para que a Petrobras teste funcionários que tiveram contato com casos suspeitos da doença. Empresa garantiu que adota todas as medidas de segurança.

Por Naiara Arpini, G1 ES

O Sindicato dos Petroleiros no Espírito Santo (Sindipetro-ES) vem denunciando a contaminação de trabalhadores por Covid-19 e a falta de testagem em profissionais que tiveram contato com casos suspeitos da doença em plataformas no estado.

Após enviar ofício à Petrobras e denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT-ES), o Sindipetro agora planeja acionar a Justiça para que a empresa adote medidas mais eficazes para o controle da doença.

O coordenador geral do sindicato, Vanísio Hoffmann, explica que a categoria considera insuficientes as normas do protocolo adotado pela Petrobras contra o contágio pela doença nas plataformas.

Segundo ele, os profissionais fazem o chamado teste rápido no embarque, o que não é considerado ideal pelo sindicato.

“A testagem rápida não é eficaz e o trabalhador pode embarcar com o vírus”, disse, referindo-se ao alerta de que, nos primeiros dias de contaminação, o teste rápido pode resultar em falso negativo.

Além disso, o sindicato quer acionar a Justiça para que a Petrobras isole e teste não só os trabalhadores que apresentaram sintomas, como também aqueles que tiveram contato com os casos suspeitos.

Segundo ele, mesmo após alguns profissionais desembarcarem com sintomas na sexta-feira (12), outros funcionários deixaram o navio dias depois sem serem testados.

“Em uma plataforma, é um confinamento. Tem muitas áreas comuns, onde esse trabalhador tem contato com várias outras pessoas. O risco desse trabalhador estar com o vírus e levar para casa é gigante. A Petrobras deveria ter isolado esse trabalhadores em hotel até sair o resultado do teste, pois estavam no mesmo ambiente. Nós enviamos um ofício pedindo que ela bancasse as hospedagem e testes, mas fomos ignorados”, opinou Hoffmann.

O Sindipetro disse que, diante da recusa da empresa, arcou com com a hospedagem e os testes dos profissionais que tiveram contato com caso suspeitos.

“Nós temos um fundo de greve que utilizamos para essa situação. Não vamos conseguir manter isso se houver surto em muitas unidades. Estamos bancando até conseguir na Justiça para que a Petrobras faça a parte dela, mas não vamos medir esforços para fazer a precaução de todos os trabalhos”, disse Hoffmann.

A preocupação da categoria surge, principalmente, após o caso da FPSO Capixaba, onde mais de 60 trabalhadores testaram positivo para o coronavírus. Mais recentemente, segundo o sindicato, cinco funcionários da P-58 foram contaminados.

Denúncia

No dia 2 de maio, o Sindipetro enviou ao Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) denúncia sobre irregularidades trabalhistas referentes ao contágio de trabalhadores na P-58.

Em nota, o Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) disse que há procedimento investigatório correndo sobre as acusações do Sindipetro.

Petrobras

Procurada, a Petrobras garantiu que “tem compromisso com o cuidado e a proteção dos colaboradores, incluindo seus familiares e pessoas próximas” e disse que não vai informar quando algum colaborador tiver confirmação ou complicações decorrentes da Covid-19.

“A companhia entende que, em linha com nosso valor de respeito às pessoas, a garantia da privacidade e do sigilo se sobrepõe nessas situações. Informações individuais dos colaboradores devem ficar restritas aos profissionais de saúde, resguardando inclusive o sigilo médico”, diz a nota enviada à imprensa.

A Petrobras também disse que realiza, desde abril, testes rápidos para triagem de profissionais do pré-embarque no aeroporto de Vitória, além de adotar outras medidas no combate ao coronavírus.

Entre elas, a aplicação do teste RT-PCR em trabalhadores que apresentam sintomas da doença; e seus contactantes (no trabalho ou domiciliares).

 

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