Setor musical capixaba agoniza durante pandemia

Lives e outras alternativas variadas tem sido o ganha pão daqueles que já alegraram muitas festas por onde passaram. Entre motorista de caminhão, trabalho no campo e no serviço administrativo, artistas vão improvisando para tentar sobreviver o momento crítico de pandemia


Reportagem: Cintia Zache – redenoticiaes

Como a maioria dos setores, a classe musical vem amargando prejuízos desde que iniciou a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Em Nova Venécia a situação não é diferente e os cantores da “terra”, vivem tempos difíceis. O bolso de quem vive da arte está em desfalque e o impacto chega a ser de quase 100%.

Entre os entrevistados, há quem buscou alternativa e virou motorista de caminhão, outros tentam se segurar em um emprego que já tinham, e há quem está enfrentando toda essa pandemia, apenas com as economias.

Com as incertezas no cenário atual, a Rede Notícia traz uma reportagem com os músicos venecianos, que contam um pouco de como está sendo o momento de vida deles. Confira!


Gabriel Sabadim
“O momento está difícil demais e delicado, mais de 30 shows foram cancelados, fora os que estavam por vir. Esse dinheiro era o que nos mantinha, era o que pagava nossos investimentos, como as gravações. Estou fazendo o que muitos músicos fizeram, migrando por enquanto para outro setor. No momento estou trabalhando com meu pai na roça, tenho um pedacinho de terra também, pouquinho de pimenta, não é muito, mas é o que está me mantendo no momento. Estou com renda financeira de cerca de 15% em relação ao que eu tinha antes. Só Deus para ter misericórdia. Espero que essa pandemia passe logo, e que voltemos a sermos felizes”


Juliano Lemos
“Está difícil para todos. Estou sobrevivendo com minhas economias, não tinha outra profissão, vivia da música. Não sei até quando vamos aguentar, já são cinco meses. Os músicos que trabalham comigo estão vivendo no aperto também, fazendo “bicos”. Uns fazem trabalho de eletricista, outro de solda, e assim vamos rompendo. Estou trabalhando na roça na propriedade do meu pai, mas uma hora vão terminar e vou ter que ver outra profissão. Mas acredito e tenho fé que tudo isso vai passar, e vamos voltar a viver da nossa paixão, que é a música”


Gerlan Coimbra
“Graças a Deus eu consigo me manter devido ao outro trabalho que tenho além da música, sou técnico de telecomunicações. Agora, muitos dos músicos que tocam comigo estão em uma situação complicada. Pois muitos deles só vivem da música. Sinto também um grande desfalque financeiro com essa pausa devido a pandemia. Estamos aí fazendo lives, e tentando ajudar ao máximo, auxiliar aos meninos que tocam com a gente também, enfim, fazendo o possível. Mas é ter fé em Deus que tudo isso vai passar”


João Pedro
“Infelizmente a situação ficou difícil para a maioria das pessoas e os setores. Falando especificamente da classe musical, não é diferente de outras classes, também estamos passando por dificuldades. As apresentações através de lives é o que podemos oferecer no momento, e também é o que se aproxima de uma apresentação presencial, mas na minha opinião, nunca substituirá a sensação de estar presente em um evento fazendo um som para o público. As lives também têm fortalecido no sentido financeiro, pois as pessoas se solidarizam com o artista e colaboram através do que podemos chamar de “couvert” solidário”. O que mais sinto falta é de tocar ao vivo e ficar observando as reações instantâneas das pessoas que estão presentes no ambiente escutando a música, o que pelas lives não tem como. De modo geral, a pandemia está nos fazendo refletir e nos adaptarmos a um cenário que não era muito explorado antes por artistas, mas que já existe há um bom tempo: o mundo da live streaming”


João Paulo e Zé Arthur
“A situação para todos os músicos e pessoas que trabalham no ramo artístico não é boa. No meu caso, sou professor de Educação Física (assim como o João Paulo), e temos a música como hobbie e uma fonte extra de renda. Fomos mais afetados em nossa ocupação principal, porém nunca esquecemos dos companheiros que dependem e sustentam suas famílias com a música, tanto é que fizemos uma Live e arrecadamos mais de 70 cestas básicas, distribuímos a quem mais precisava. Não nos resta muito a fazer, a não ser rezar por todas as pessoas, e torcer para que essa situação passe o quanto antes”


André Lemos
“Eu estou dirigindo o caminhão do meu pai, trabalhando na estrada, viajando esse Brasil e levando progresso. No momento estou em Belo Horizonte, carregando cimento, depois tenho uma carga de granito. A minha renda não diminuiu tanto, porque estou conseguindo ganhar o mesmo, mas a minha paixão é a música, estou aguardando só a volta do setor para voltar aos palcos, a música é o meu sonho e faz parte de mim. Fazíamos oito shows por mês em média, pessoal que trabalhava comigo também está passando situação difícil, buscando alternativas. Tirei carteira de caminhão para assumir essa nova profissão, temos que pagar contas. Os músicos foram os primeiros a parar e os últimos que vão voltar. Estou trabalhando na estrada, com Deus e Nossa Senhora na proteção”


Rubiano Risso
“Falar da pandemia é sempre um assunto delicado, sem dúvidas a área da música foi um dos meios de trabalho mais prejudicados. Como não tem data definida para volta dos eventos, o jeito é se reinventar com trabalhos paralelos, e investindo muito nas lives, que hoje é única forma de show para o público. Eu trabalho de secretário em um sindicato, tenho essa renda. Mas cada um é um caso. Alguns músicos estão na ajuda do auxílio do Governo, outros fazendo outros trabalhos. A música sempre foi minha principal fonte de renda. Foi uma perca de mais de 50% mensal no meu financeiro”


Diego Peixoto
“A pandemia com certeza mudou a rotina de toda população, mas nós cantores, estamos vivendo um momento de extrema dificuldade, pois dependemos dos eventos para produzir renda, algo que nesse momento tem sido impossível de acontecer. Através do meu trabalho, além de levar alegria para as pessoas, consigo empregar muita gente, equipe, músicos, que nesse momento também estão sentindo a dificuldade. Atualmente, minha renda provém das reservas que consegui fazer através da música, mas que infelizmente, não são tão consideráveis assim”


Fagner Coelho
“Está muito difícil, complicado demais, estamos muito tempo parados. Imagine se o seu negócio fosse totalmente fechado por todos esses meses, como viver? Eu sou funcionário público, tenho essa renda, que é pouca, pois meu financeiro foi diminuído em 90 por cento em média, nem sei o que fazer. Eu fazia uns 12 shows por mês e ainda, tinha o som de barzinho. A música é meu verdadeiro sustento. Meu baterista e baixista estão vivendo de “bicos”, estamos fazendo vaquinha para os ajudar, não tem de onde tirar o dinheiro. Fizemos live e ajudamos famílias necessitadas com cestas básicas. Meu projeto agora é fazer outra live para ajudar os músicos, está complicado demais. Eu torço para tudo voltar ao normal, e se isso não acontecer, teria que ter um projeto que pudesse nos ajudar, mas a esperança mesmo é que voltemos a ter uma vida como antes e a alegria do brasileiro”

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