Sesp e Ufes realizam pesquisa inédita sobre saúde mental de trabalhadores da Segurança Pública

Uma pesquisa inédita desenvolvida pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai realizar um importante diagnóstico de saúde mental das forças de segurança. A pesquisa pretende mapear, de forma qualitativa e quantitativa, em que situação se encontra a saúde emocional dos profissionais que atuam diretamente na Segurança Pública do Estado e, com base nesse diagnóstico, direcionar ações de atenção à qualidade de vida desses trabalhadores.

Na Sesp, o trabalho é realizado pela Comissão Permanente de Atenção à Saúde dos Profissionais de Segurança Pública, Defesa Social e Justiça no Espírito Santo (Copas) e, na Ufes, a unidade responsável é o Núcleo de Pesquisa, Inovação e Planejamento Socioeconômico (Nupla), vinculado ao Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN).

“Um assunto que tem nossa atenção é a valorização do profissional de segurança pública, principalmente no que se refere à saúde mental. Essa pesquisa vai possibilitar o direcionamento de inciativas que efetivamente valorizem e respeitem o capital humano, quebrando paradigmas, preservando a saúde física e mental e promovendo qualidade de vida”, afirmou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho.

O título do projeto é longo: ‘Diagnóstico das condições de saúde no trabalho e qualidade de vida das forças de segurança no Estado do Espírito Santo’. O tempo de trabalho também. Há mais de um ano, reuniões vêm sendo realizadas em diversas unidades policiais, para apresentar o projeto e garantir a adesão dos policiais e demais agentes de segurança.

“Nosso maior desafio foi convencer os profissionais de que poderiam confiar na pesquisa. Para isso, no último ano fizemos visitas nos batalhões, companhias, delegacias e outras unidades policiais, para explicar a metodologia e a importância da adesão. A saúde mental do trabalhador de segurança pública ainda é um tabu, pois a sociedade construiu uma ideia de que este profissional é invencível. Nosso objetivo é trazer luz para esse assunto e realmente dar atenção à saúde mental desse trabalhador”, afirmou o coordenador da Copas, professor Pedro Ferro.

Trabalho

O trabalho é inédito porque, pela primeira vez, reúne dados sobre profissionais de diversas forças de segurança. Participarão da pesquisa cerca de 18 mil profissionais, da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar (PMES), Polícia Civil (PCES), Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), Secretaria de Justiça (Sejus), Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e Guardas Municipais de Vitória, Vila Velha, Serra, Viana e Cariacica (ainda em formação).

A pesquisa será realizada em três etapas e a primeira vai abranger a Região Metropolitana de Vitória e região norte do Espírito Santo, onde o projeto já foi apresentado nas reuniões preparatórias. Nesta segunda-feira (21), a coleta teve início em uma reunião, marcada na Sesp, e o representante de cada unidade policial recebeu um modelo de formulário para repassar à equipe. Os dados coletados, por meio dos formulários, serão tratados e analisados. A previsão é de que os primeiros resultados estejam disponíveis em dezembro deste ano.

“Os dados vão direcionar os atendimentos psicossociais em cada força de segurança. O que precisa ser feito para que o profissional se sinta acolhido, seguro no desempenho de suas funções? Como direcionar investimentos?  Como valorizar nosso capital humano? Essas perguntas serão respondidas com a nossa pesquisa. O objetivo é trabalhar em prevenção e qualidade de vida, antes do afastamento por adoecimento mental. Isso é cuidar de quem cuida das pessoas”, afirmou Pedro Ferro.

Texto: Camila Ferreira