Servidores e alunos protestam por mais debate sobre implantação de ensino remoto na Ufes

Manifestantes dizem que proposta foi apresentada sem tempo hábil para discussão com as entidades de base. Ufes disse que todos tiveram a oportunidade de apresentar suas manifestações e contribuições.

Professores, estudantes e técnicos da Ufes protestam contra decisão sobre ensino remoto — Foto: Reprodução/Whatsapp

Professores, estudantes e servidores técnico-administrativos fizeram um protesto na tarde desta quinta-feira (13), na Reitoria da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contra a forma como o ensino remoto está sendo debatido na universidade. A modalidade foi autorizada pela instituição nessa quarta-feira (12).

A manifestação aconteceu durante uma sessão a Administração Central da Ufes, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) que deliberava sobre a regulamentação do Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte), o calendário para o semestre especial e a flexibilização das normas acadêmicas.

Os manifestantes contaram que policiais militares que, atualmente, trabalham na segurança dos campi da Ufes, os impediram de colar cartazes no prédio da Reitoria.

Reivindicações

A modalidade ensino-aprendizagem remoto, na graduação e pós-graduação, foi autorizada como medida necessária para viabilizar o retorno das atividades de ensino da Ufes, já que as aulas presenciais estão suspensas por causa da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a presidenta da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), Ana Carolina Galvão, a proposta do ensino remoto chegou a ser apresentada às entidades de base, mas com um tempo de parecer muito curto para que professores e alunos pudessem se manifestar.

“Recebemos a proposta do ensino remoto, mas os processos vinham com um prazo muito curto, de três ou quatro dias úteis, para nos manifestarmos. Precisamos mobilizar um monte de professores, ouvir estudantes, para que esse processo seja democrático. Isso não se faz em uma semana”, ponderou.

Além disso, a professora declarou que a maioria das reuniões do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que está deliberando sobre o caso, foram realizadas em período de férias.

“Todas as tramitações, exceto essa que está acontecendo hoje, foram realizadas em período de férias. Na Ufes, temos 1.883 professores em exercícios. Destes, 1.117 estavam em férias no período da discussão. Submeteu às instâncias [o processo], mas as pessoas não estavam lá”.

Estudantes

De acordo com a presidenta da Adufes, no mês de maio, a Ufes divulgou uma enquete que indicou que mais da metade dos estudantes e professores são contrários à adoção do ensino remoto.

A diretora geral do Sindicato dos Trabalhadores na Ufes (Sintufes), Luar Santana de Paula, explicou que a universidade chegou a abrir um edital para disponibilizar equipamento e internet na casa dos alunos que não têm essa estrutura. Porém, mesmo assim, a proposta não contempla todos os estudantes.

“A gente atesta que nenhum estudante pode ficar para trás. Esse ensino remoto tem que abranger todos os estudantes. Fornecer só uma conta de internet ou senha, não engloba todos os alunos. Tem pessoas que moram no interior, em lugares muito longe, que podem até ter o dinheiro, mas talvez a internet não chegue na casa deles”, apontou.

Luar enfatizou que o sindicato não é contra a utilização do ensino remoto durante o período de pandemia da Covid-19. Mas que, antes, essa proposta precisa ser analisada por todas as instâncias envolvidas, sendo elas estudantes, professores e técnicos.

“Entendemos que esse período é emergencial, por causa da pandemia, e que seria loucura retomar as atividades presenciais, já que 20 mil pessoas passam pela Ufes todos os dias. Entendemos essa dificuldade, mas queremos garantir o direito de todos os estudantes. O edital está aberto para quem quer solicitar equipamento ou internet, mas nós não sabemos a capacidade da universidade. E se o número de estudantes necessitados extrapolar esse limite de material e internet disponibilizados?”, questionou.

Ufes

Em nota, a Administração Central da Ufes disse que tanto o Plano de Biossegurança quanto o Plano de Contingência, que sugerem a adoção do ensino remoto neste momento de isolamento social, foram produzidos sempre ouvindo professores, estudantes e técnicos e que todos tiveram a oportunidade de apresentar suas manifestações e contribuições nos prazos estabelecidos ao longo do processo. (Veja a nota na íntegra no final da matéria)

A Ufes também esclareceu que, desde a suspensão das atividades presenciais, as sessões dos Conselhos Superiores da Universidade estão sendo realizadas de forma on-line e que o prédio da Reitoria tem sido mantido fechado, uma vez que apenas poucos servidores, de forma esporádica, têm trabalhado no local.

De acordo com a nota, na tarde desta quinta-feira (13), foi permitido aos representantes da Adufes, do Sintufes e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) o acesso ao térreo do prédio. No entanto, não foi permitido que subissem até o terceiro andar, onde está localizada a Sala da Sessões.

Quanto ao relato de que um policial militar teria hostilizado os manifestantes, a Superintendência de Infraestrutura afirmou que está apurando os fatos para adotar as medidas que se fizerem necessárias.

Com informações de Any Cometti, G1 ES

Nota da Ufes na íntegra:

A Administração Central da Ufes destaca que tanto o Plano de Biossegurança quanto o Plano de Contingência, que sugere a adoção do ensino remoto neste momento de isolamento social, foram produzidos sempre ouvindo professores, estudantes e técnicos. A primeira versão desses planos começou a ser construída em abril por especialistas de diversos Centros de Ensino reunidos no Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus da Ufes (COE-Ufes) e no Grupo de Trabalho (GT) Ufes COVID-19, com a participação de representantes das três entidades (Adufes, Sintufes e DCE). Uma das escutas feitas neste momento à comunidade universitária foi por meio de pesquisa junto aos três segmentos da Universidade.

Concluídos no final de maio, esses dois documentos foram levados a discussão e coleta de contribuições, durante o mês de junho, nos 11 centros de ensino (que envolvem cerca de 157 colegiados de curso e 73 departamentos) e nas unidades administrativas da Universidade) e resultou em uma série de contribuições por parte de docentes, técnicos e estudantes, que figuraram na versão final do Plano de Biossegurança e do Plano de Contingência, que balizam a ação da Universidade neste momento. As três entidades decidiram se retirar tanto do COE (que elaborou o Plano de Biossegurança) quanto do GT Ufes COVID-19 (que elaborou o Plano de Contingência).

As minutas de resoluções relacionadas à graduação e à pós-graduação, que estão em debate nos Conselhos Superiores, também foram discutidas nas unidades acadêmicas, dentro de um cronograma elaborado pelos conselhos superiores.

Deste modo, todos tiveram a oportunidade de apresentar suas manifestações e contribuições nos prazos estabelecidos ao longo do processo. Todas as decisões estão passando pelos órgãos colegiados da Ufes (colegiados de curso, departamentos, conselhos departamentais, câmaras de graduação e pós-graduação, comissões dos conselhos superiores), Conselho Universitário e Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que têm a competência de decidir sobre as atividades da Universidade.

 

 

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