Sem clientes nas ruas devido a pandemia do Coronavírus, garotas de programa brasileiras fazem videochamadas

Garotas de programa mudam rotina por conta da pandemia de Covid-19: 'Ninguém quer gastar com isso'

Por Isabela Fernandes*, G1 Sorocaba e Jundiaí

“No fundo eu sei que terei de me arriscar, se não conseguir pagar as contas”. É assim que a garota de programa Bárbara, como prefere ser chamada, resume a preocupação frente à pandemia do coronavírus. A moradora de Sorocaba (SP) contou como está sendo afetada pela quarentena e falou sobre a aposta em atendimentos online.

Bárbara é transexual e diz que trabalha com prostituição desde os 18 anos. Ela afirma que está há 13 dias sem atender clientes pessoalmente e que vem procurando formas de se proteger sem deixar de trabalhar.

“Tive a ideia de atender por videochamada para não ficar sem dinheiro nenhum. É uma forma de ter uma renda mínima no meio do caos”, explica.

Os valores, no entanto, são bem diferentes. Nos atendimento online ela cobra muito menos do que presencialmente, e a renda do mês não deve chegar nem à metade do que normalmente consegue.

Mesmo com as orientações de isolamento social por riscos de contágio, Bárbara diz que muitos clientes fixos a procuram pelo celular e perguntam se haverá um desconto no valor do programa. “Querem saber quanto passará a ser o valor de maneira presencial, na certeza que terei que baixar o preço por causa da pandemia.”

Com medo do avanço do coronavírus, Bárbara afirma que suas colegas de trabalho também estão se protegendo e ficando em casa. Ela afirma que este é um momento delicado, em que todas estão muito nervosas, porém, respeitando as medidas de segurança e orientações contra o vírus. “Estamos todas surtando”, diz.

Privilégio de escolha

Já outra garota de programa da cidade, que prefere ser chamada de Priscila, conta que teve a sorte de não precisar se arriscar durante a pandemia. Ela vive hoje com parte do dinheiro que ganhou no começo do ano.

Priscila interrompeu os atendimentos e diz que não é adepta do sexo virtual.

“Sempre fiz atendimento pessoal e eu prefiro, não gosto de vídeo. No momento, estou parada, pois tenho como e me sinto privilegiada por isso”, diz.

“Tenho uma amiga que está muito preocupada e pensa em viajar para outras cidades. Ela não parou, está tentando trabalhar normalmente, mas não está tendo procura.”

Priscila acredita que, por conta da quarentena, muitos clientes não estão podendo sair de casa e acabam ficando sem dinheiro.

“Na verdade, os clientes não estão buscando [o programa] por não terem oportunidade de sair de casa, e outra: a crise afetou muita gente, então ninguém quer gastar com isso”, relata.

Cartilha recomenda trabalho ‘virtual’

Divulgada na quarta-feira (2), uma cartilha feita pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves, recomenda o trabalho virtual a “profissionais do sexo” durante a pandemia do coronavírus.

Destinado ao público LGBT, o material traz orientações sobre como se proteger da Covid-19. Segundo a cartilha, “trabalhadores autônomos, profissionais do sexo e pessoas sem renda fixa infelizmente são mais prejudicados durante as recomendações de quarentena”.

Cartilha foi feita pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Cartilha foi feita pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O documento também sugere que o público tenha boas ideias para não ficar parado. “Mas não é na crise que nascem as boas ideias? Se tiver que trabalhar, converse com seus clientes, tente a opção do serviço virtual”, diz.

Além disso, a cartilha ressalta a importância de manter o isolamento social e contraria a retomada das atividades, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. Utiliza, ainda, o Ministério da Saúde como fonte oficial de informação.

Material recomenda trabalho virtual para 'profissionais do sexo' — Foto: Divulgação

Material recomenda trabalho virtual para ‘profissionais do sexo’ — Foto: Divulgação

*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

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