Secretária de Vila Valério, ES, deixa cargo após caso de trabalho escravo na fazenda do marido

Após 77 trabalhadores terem sido resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda na cidade de Vila Valério, no Noroeste do Espírito Santo, a secretária de Saúde, Cazuza Zorzanelli Rossini, foi exonerada de seu cargo na prefeitura.

A agora ex-secretária é esposa de Raul Alves Roberti, o dono da fazenda Vargem Alegre, onde os trabalhadores foram localizados por auditores fiscais do trabalho. A operação, realizada em conjunto com a Polícia Federal, ocorreu no início de maio.

Os trabalhadores, entre eles três adolescentes, são todos da região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, de onde saíram no dia 17 de abril com o objetivo de trabalhar na colheita do café na propriedade de Raul.

De acordo com informações da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo (SRTE-ES), que está à frente das investigações do caso, os trabalhadores viviam em condições precárias e sem direito a salário. A maioria deles também testou positivo para Covid-19, mas nenhuma medida sanitária e de isolamento para os doentes foi tomada.

Em razão do caso, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) notificou a Prefeitura de Vila Valério para que Cazuza fosse exonerada do cargo por conivência e omissão. Em nota, o órgão explicou que os fatos são incompatíveis com o “princípio da moralidade da administração pública”.

De acordo com o MPES, após a notificação, a prefeitura enviou um uma resposta, dizendo que o caso envolve apenas o marido de Cazuza e que os fatos não foram comprovados, não havendo motivos para a exoneração. Diante disso, o órgão reiterou a notificação no dia 20 de maio.

No dia 27 de maio, a exoneração da ex-secretária foi publicada. Já no dia seguinte, em 28 de maio, a nova secretária de Saúde de Vila Valério, Katiucy Leonardi Tetzner Muller, foi anunciada por meio da publicação de um decreto oficial. Katiucy já atuava como coordenadora de Imunização na cidade.

Trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão foram colocados em alojamentos em fazenda em Vila Valério — Foto: Gabriela Fardin/TV Gazeta

Trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão foram colocados em alojamentos em fazenda em Vila Valério — Foto: Gabriela Fardin/TV Gazeta

A reportagem tenta entrar em contato com Cazuza Rossini e com a Prefeitura de Vila Valério. Quando o Ministério Público enviou a notificação ao município, Cazuza disse que alvo de perseguição política pela atuação dela na pasta.

“A saúde de Vila Valério vem se destacando no alcance de todas as metas traçadas pela Secretaria de Estado da Saúde. Não existe nenhuma prova que desabone a minha conduta como secretária. Tenho recebido muito apoio da minha equipe. Todas as notícias que saíram ao meu respeito são falsas”, declarou Cazuza na época.

Trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão foram colocados em alojamentos em fazenda em Vila Valério — Foto: Gabriela Fardin/TV Gazeta

Trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão foram colocados em alojamentos em fazenda em Vila Valério — Foto: Gabriela Fardin/TV Gazeta