Secretaria de Saúde do Espírito Santo estuda mudar formato do inquérito sorológico

Nova testagem deve atingir grupos específicos, como estudantes, internos de instituições penais e indígenas.

Secretário de Saúde do Estado e subsecretário de Vigilância Epidemiológica do ES — Foto: Divulgação/ Sesa ES

 

A testagem em massa da população do Espírito Santo para a Covid-19, o chamado Inquérito Sorológico do Governo do Estado, deve sofrer alterações. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (25). A informação é de Any Cometti, do G1 ES

Na ocasião, o subsecretário de Estado de Vigilância Epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, reconheceu que o inquérito sorológico mediu os índices de contaminação apenas nas pessoas encontradas em casa.

“A prevalência não diminuiu, mas detectamos a prevalência de quem não circula, de quem ficou em casa. É uma informação importante, e compreendemos que vamos precisar mudar o formato do inquérito. Para atender à população escolar, indígena, população prisional. Vamos aperfeiçoar ainda mais a coleta dessas informações. Os dados da segunda etapa foram semelhantes aos da primeira. Dessa forma, foi recomendado que não déssemos continuidade ao modelo de inquérito domiciliar. Dentro das perspectivas, está a realização de um Inquérito Escolar”, finalizou o subsecretário.

Apesar de o subsecretário falar sobre a necessidade de um inquérito escolar, ele não deu detalhes de como essa testagem deve acontecer e nem definiu uma data para isso.

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, adiantou que o governador Renato Casagrande (PSB) vai se pronunciar sobre a volta às aulas ainda nesta semana, e que a realização de um inquérito escolar é uma etapa que precede o retorno às aulas.

Outra afirmação de Nésio foi a de que não há a possibilidade do retorno imediato às aulas presenciais.

“Sobre a volta às aulas, é um assunto sobre o qual o governador Renato Casagrande vai se pronunciar ainda nesta semana. Hoje, não há condições de afirmar a possibilidade de retorno imediato da educação infantil e do Ensino Fundamental. Estamos amadurecendo o tema e esse tema será objeto de abordagem mais explícita com o governador. O inquérito escolar vai ser importante para monitorar o avanço da pandemia nesse segmento”, finalizou o secretário.

Estabilidade

Ainda de acordo com Nésio Fernandes, a previsão das autoridades estaduais em Saúde é de em setembro o estado atinja um nível de estabilidade mais seguro para a tomada de decisões.

“Nós estimamos que o mês de agosto seria mesmo um mês de queda, e que, por isso, poderíamos apontar como um novo momento. De fato, agosto deve apontar para um mês de transição. Em setembro, com essa transição consolidada, o governo deve apresentar um conjunto de decisões para outubro e novembro. É possível que a queda de casos e óbitos em setembro esteja em níveis adequados para que a gente entenda e qualifique as medidas tomadas durante a pandemia”, pontuou o secretário.

Segunda etapa

Durante a coletiva, foram apresentados os resultados da segunda etapa do segundo Inquérito Sorológico, que mediu a prevalência da Covid-19 em residências de 13 municípios capixabas.

Nos municípios de Serra, Vila Velha, Marataízes, Linhares, São Mateus, Colatina e Santa Maria de Jetibá houve um aumento na prevalência da doença. Ou seja, entre o percentual testado, aumentou o número de pessoas que tiveram contato com o coronavírus.

Já em Cariacica, Vitória, Alegre, Afonso Cláudio, Cachoeiro de Itapemirim e Nova Venécia, houve diminuição desse número.

A segunda fase do inquérito sorológico mostrou, ainda, que as pessoas que testavam positivo eram, em geral, cerca de três anos mais jovens do que os que testavam negativo, o que, de acordo com os pesquisadores, comprova que os jovens estão se infectando fora de casa e transmitindo o coronavírus para os mais velhos.

As faixas etárias em que predominam os testes positivos são as de entre 20 a 39 anos e de 40 a 59 anos.

Além disso, pelo critério de raça/cor, permanece o maior percentual de infecção entre pardos e pretos, sendo que uma pessoa de raça branca tem 30% a menos de probabilidade de ser infectada em relação às pessoas pardas ou pretas.

 

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