Sarampo, pólio, meningite, covid e gripe: tire dúvidas e atualize o cartão vacinal

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A cobertura vacinal no Brasil tem caído nos últimos anos, deixando a população, principalmente, as crianças, mais vulneráveis a doenças que já haviam sido erradicadas no país, como sarampo e poliomielite, que podem causar sequelas graves e até levar à morte. Para recuperar as metas de vacinação e evitar possíveis surtos das doenças, o Ministério da Saúde iniciou em abril a Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe e Sarampo vacinando crianças de 6 meses a menores de 5 anos, entre outros públicos prioritários. Em Barra de São Francisco também há uma ação contra a poliomielite, doença contagiosa que pode causar paralisia permanente nas pernas ou nos braços. Com as medidas, têm surgido muitas dúvidas entre os pais sobre carteira vacinal atrasada, repetição de doses já aplicadas e contraindicações, entre outras questões.

A campanha nacional é considerada indiscriminada, ou seja, atende aos grupos-alvos independentemente de estarem ou não com o calendário vacinal em dia. A iniciativa visa aplicar uma dose extra dessas vacinas mesmo em quem já as recebeu, reforçando assim a proteção contra essas doenças. O sarampo, por exemplo, havia sido erradicado no país em 2016, mas voltou a se manifestar. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou cerca de 40 mil casos de sarampo entre 2018 e 2021. Doença grave, o sarampo tem sintomas parecidos aos da gripe mas também causa manchas avermelhadas no corpo, provocando infecções no ouvido, pneumonia e convulsões.

As coberturas vacinais estão abaixo das metas para todas as vacinas segundo dados do DATASUS do Ministério da Saúde que mostram quedas na imunização desde 2012. Em 2021, a porcentagem (geral) foi de 60,7%. A cobertura da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) foi de 71,4% e da vacina contra a poliomielite, 67,6%. O índice de vacinação considerado ideal é acima de 90%.

No caso da vacina contra gripe, é importante tomar a dose anual para cobrir novas cepas do vírus. Há uma mudança frequente do tipo de vírus que circula em cada inverno e por isso as vacinas são adaptadas. As vacinas de 2021 não se prestam a proteger a gripe em 2022 e subsequentemente a cada ano.

Em relação ao sarampo, as campanhas são importantes para recuperar doses não aplicadas anteriormente e também para garantir terceiras doses. Essa vacinação indiscriminada permite que se cubra eventuais falhas vacinais. Existe uma pequena porcentagem de indivíduos que mesmo com as duas doses não respondem adequadamente. Essa terceira dose tem essa dupla utilidade.

Abaixo, veja  as imagens para saber mais sobre as vacinas de covid, poliomielite, sarampo, gripe e meningite.

E quem está com a carteira vacinal atrasada?

Outra dúvida comum é sobre a caderneta vacinal das crianças. Com a pandemia, muitos pais deixaram de levar os filhos nos postos de vacinação e agora querem saber, por exemplo, o que fazer se a criança perdeu alguma das vacinas previstas no calendário ou mesmo quando não certeza sobre se foi vacinada ou não. Vacina não causa overdose. Doses que podem não ser necessárias não causam prejuízo a ninguém, então na dúvida é melhor vacinar.

Vale aproveitar, portanto, a ida aos postos de saúde ou clínicas de vacina para checar se os esquemas vacinais e carteirinhas dos filhos estão em dia e já resolver as faltas que houverem. Mesmo que não seja possível aplicar todas as doses no dia, é importante buscar informações e a necessidade de agendamento para terminar de completar o esquema vacinal.

Isso também é válido para pais, mães e adultos no geral, que por algum motivo perderam alguma vacina. A pessoa com o cartão atrasado pode procurar a unidade de saúde a qualquer momento e atualizar a vacina indicada para aquela idade, por isso é tão importante levar o cartão para fazer uma avaliação do que precisa que seja contemplado, independentemente das campanhas.

Contraindicações às vacinas

Quando há sintomas gripais, deve-se adiar a aplicação da vacina em 48 horas apenas se a criança estiver em estado febril. Crianças que estão tomando antibiótico também podem ser vacinadas. A única ressalva é que normalmente a criança gripada ou usando antibiótico já está com um quadro infeccioso, então ela tem chance de ter febre e como a reação mais comum na vacinação é a febre vai existir dificuldade de saber se a febre da criança está relacionada à piora da gripe ou se é uma reação da vacina, então a orientação é esperar o curso da doença melhorar para a criança ser vacinada. Mas não é uma contraindicação formal, é mais uma precaução.

Crianças que usam imunossupressores e corticoides ou fazem quimioterapia podem ser vacinadas com vacinas de vírus morto, como o vírus da gripe. Já nas vacinas de vírus vivo, como a tríplice viral, a de pólio e de febre amarela, é indicado recuperar a saúde para aplicação do imunizante. A orientação do pediatra nesses casos é fundamental. Não há problemas em tomar mais de uma vacina ao mesmo tempo, exceto a de covid, que exige um intervalo de 15 dias, em crianças até 11 anos, para aplicação de outros imunizantes.

Além desses casos, contraindicações valem apenas para aquelas crianças que já apresentaram reações alérgicas anteriormente às vacinas e seus componentes.

Vacinação contra meningite

Há três vacinas para meningite disponíveis: a vacina para a meningocócica C, a vacina para a ACWY e para a meningocócica B. Além destas, é necessário prestar atenção para a imunização contra a segunda infecção de meningite mais comum no país: a pneumocócica, para a qual estão disponíveis as vacinas Pneumo 10, na rede pública, e a Pneumo 13, na rede privada. As pessoas também devem tomar esses imunizantes, pois a cobertura continua baixa.

Assim como o sarampo ressurgiu após baixas coberturas vacinais, o mesmo pode acontecer com doenças meningocócicas, causadas pelo mesmo grupo de bactérias. Estamos num momento de alto risco, principalmente nesses meses de inverno, de surtos tanto de doença meningocócica, quanto de pneumocócica, considerando que a cobertura vacinal está em torno de 60% e 70%, o que é muito baixa. A meningite se caracteriza pela inflamação das membranas (meninges) que revestem o cérebro e a medula espinhal, podendo deixar sequelas ou mesmo ser fatal. Tem sintomas como dor de cabeça intensa, febre, náuseas e rigidez do pescoço.

 

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