Saiba quem são os detentos e os advogados presos em operação Ministério Público

Cinco detentos do sistema prisional estadual e nove advogados foram alvos da operação “Armistício”, deflagrada na manhã desta segunda-feira (19) pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os presos estavam cumprindo pena na Penitenciária de Segurança M´´axima II, em Viana.

Eles foram apontados como líderes da organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), responsável por uma ampla rede de tráfico de drogas e de armamento pesado, com atuações concentradas principalmente no Bairro da Penha, na capital, com ramificações em toda a Grande Vitória.

Já os advogados são suspeitos de facilitarem a comunicação desses presos com os demais integrantes fora do presídio utilizando bilhetes, mensagens de WhatsApp e até videochamadas feitas na prisão. As ordens enviadas por esses profissionais da defesa incluíam queima de ônibus e até execuções.

Os mandados foram cumpridos por agentes do Gaeco acompanhados de uma comissão especial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES). Até o fechamento desta matéria, seis desses mandados de prisão haviam sido cumpridos e outros três advogados não haviam sido localizados. Um deles fugiu pela janela após dialogar com a equipe do Gaeco e representantes da OAB.

Os advogados foram encaminhamos para unidade prisional para instalação da tornozeleira eletrônica. Cumprirão prisão domiciliar e serão ouvidos pelo Gaeco, em data a ser definida.

Ao todo, a Operação Armistício cumpriu 37 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão na região metropolitana e em Aracruz e São Mateus.

Lideranças de facção criminosa

A pedido do Ministério Público, os cinco detentos foram transferidos para presídios de segurança máxima do sistema federal, fora do Estado. A reportagem teve acesso ao pedido oficial do Ministério feito ao juiz da 10ª Vara Criminal de Vitória para esta transferência. A transferência foi feita nesta manhã numa aeronave providenciada pela Polícia Federal.

No documento, são amplamente detalhados os motivos da transferência, bem como os motivos de cumprimento de pena. “As pessoas representadas neste pedido foram identificadas como lideranças de facção criminosa denominada Primeiro Comando de Vitória (PVC) ‘Tudo 12/Trem Bala’ (TB). As provas angariadas no decorrer das investigações demonstram que as principais ordens são proferidas a partir do interior da Penitenciária Máxima II de Viana”, registra o MP.

As investigações começaram em abril de 2019 indo até abril deste ano. Chamaram a atenção o número e o tempo de duração de visitas de advogados a alguns desses presos. Um deles recebeu atendimento de 76 advogados, em um total de 567 visitas, algumas delas com duração de oito horas, indo madrugada adentro.

Confira quem são os detentos transferidos da Penitenciária de Viana para presídios federais:

– João de Andrade (apelido “Joãozinho da 12 ou Paizão”): condenado a 21 anos e 10 meses.

– Carlos Alberto Furtado da Silva (“Nego Beto”): condenado a 54 anos e 8 meses.

– Geovani de Andrade Bento (“Vaninho, Vanin, Magrelo, Grilo, MG”): preso provisoriamente desde fevereiro de 2020.

– Giovani Otacilio de Souza (“Bob Esponja, Cara de Queijo ou Paraíba”): condenado a 128 anos, 5 meses e 5 dias.

– Pablo Fernandes (“Geleia”): condenado a 7 anos.

Advogados alvos de mandados de prisão:

– Joyce da Silva Boroto

– Márcia Borlini Marim Sanches

– Alzemir Rosa Miranda Ramos

– Thelma Barcellos Bernardes

– Paloma Maroto Gasiglia

– Juliano da Silva Maia

– Tobias Claudino Nascimento

– Amilton Índio do Brasil Borges

– Gabriel dos Santos Koski


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