Repercussão negativa de nomeação de Crivella ameaça sua aprovação pela África do Sul


247 – O governo Jair Bolsonaro passou a temer que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), não ocupe o cargo de embaixador do Brasil na África do Sul por causa da repercussão negativa da nomeação. A informação foi publicada nesta terça-feira (15) pela coluna de Jamil Chade. Crivella foi preso em 22 de dezembro do ano passado, acusado de chefiar o “QG da Propina” instalado na prefeitura carioca. De acordo com a investigação, ao menos R$ 53 milhões foram arrecadados pelo esquema.

O chefe do executivo, que é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, foi transferido do presídio de Benfica para a prisão domiciliar no mesmo dia após decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. Em fevereiro de 2021, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes determinou a revogação da prisão domiciliar, mas proibiu que o prefeito deixasse o país. Em consequência, houve a retenção do passaporte.

O Brasil submeteu aos sul-africanos o nome do novo embaixador no começo de junho. Crivella precisa passar por uma sabatina no Senado. Mas não tem sentido manter a nomeação sem o sinal positivo dos sul-africanos.

O temor do governo Bolsonaro é o de que a África do Sul passe meses sem dar uma resposta. O veto explícito a um embaixador estrangeiro causaria um abalo nas relações bilaterais. O caminho de menor atrito seria o de “não decidir”.