Queda de casos de dengue no Espírito Santo aponta para subnotificação da doença, diz Sesa

A queda no número de casos de dengue e chikungunya nas primeiras semanas do ano de 2021 aponta para uma subnotificação dos casos, em função da pandemia da Covid-19.

A afirmação, de acordo com reportagem de Any Cometti, do G1 ES, é do chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa-ES), Roberto Laperriere Júnior. Segundo ele, por causa da pandemia, os pacientes com sintomas menos graves das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti estão deixando de procurar ajuda médica.

“A pandemia influencia nessa subnotificação. As pessoas que têm a forma menos grave dessas doenças evitam procurar o sistema de saúde. Mas, ao mesmo tempo, acreditamos que os casos tiveram realmente uma redução”, considerou.

O número de casos registrados da dengue nas primeiras semanas de 2021 é mais de 10 vezes menor do que os registrados nas primeiras semanas de 2020. No mesmo período, os casos de zika caíram quase pela metade. Já o número de registros de chikungunya é quase oito vezes menor.

Laperriere alertou, ainda, que o estado vive, até abril, um período propício para a propagação da doença. As altas temperaturas e a ocorrência de fortes chuvas são fatores determinantes para que surjam mais casos das arboviroses (dengue, zika e chikungunya).

Atualmente, como explica o Laperriere, circulam no estado os sorotipos 1 e 2 da dengue, que já são conhecidos pelas autoridades de saúde. Em 2013, quando houve uma epidemia de mais de 80 mil casos da doença no Espírito Santo, o sorotipo 4, que ainda era pouco conhecido, estava em circulação e isso agravou a situação da doença.

“Continuamos no período sazonal, ainda temos temperaturas altas, tivemos chuvas e estamos em alerta, considerando a questão climática. Com relação a sorotipos, temos a mesma circulação, dos sorotipos 1 e 2. Isso nos traz tranquilidade, porque se continuarem só eles, com relação à dengue, talvez não tenhamos um boom de casos”, apontou o chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental.

Mas essa situação não é a mesma para a chikungunya, de acordo com o especialista. Embora haja a diminuição nos números também dessa doença, a população está mais suscetível a uma epidemia, porque grande parte da população ainda não teve contato com o vírus.

“Não é a mesma situação para a chikungunya, considerando que não tivemos grandes epidemias e que temos as condições favoráveis. Além disso, temos população suscetível ao vírus. A chikungunya preocupa”, declarou.

Para que epidemias dessas doenças não aconteçam no estado, Laperriere lembra os cuidados de sempre: “Que a população faça a própria parte dentro das casas, eliminando os focos com água parada, e que procure o serviço de saúde em caso de sintomas graves, como dor abdominal e vômito”.

Mosquito Aedes aegypti no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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