Putin não permitirá que EUA falem com Rússia a partir de uma posição de força

Sputnik O presidente Vladimir Putin nem qualquer outra liderança da Rússia vão deixar que os americanos ou quem quer que seja conversem conosco a partir de uma posição de força, disse nesta segunda-feira (29) o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov. “É impossível. Os norte-americanos agora estão repetindo como mantra, dizendo assim: ‘Nós vamos falar com todos de uma posição de força.’

Entretanto, Peskov notou que Moscou considera importante manter o diálogo com Washington, apesar de todos os desacordos. O porta-voz presidencial mencionou o exemplo da reação de Vladimir Putin às recentes declarações pouco diplomáticas do líder norte-americano, Joe Biden. Em 17 de março, em entrevista ao canal de televisão ABC News, Biden afirmou que Putin “pagaria” por uma suposta interferência nas eleições presidenciais dos EUA de 2020 e também chamou indiretamente o presidente russo de “assassino”.

Em resposta, Putin desejou-lhe saúde e recordou que “avaliar outras pessoas é o mesmo que olhar no espelho”. Além disso, o presidente russo convocou Biden a continuar discussão em transmissão ao vivo, e sem atrasos. Mas não houve resposta clara do lado norte-americano.

“O sentido da reação [de Putin] consiste em uma iniciativa de conversa que ficou sem resposta do lado dos norte-americanos. Do nosso ponto de vista, o essencial agora é não permitir que as relações desmoronem ainda mais. Já foram estragadas demais, é preciso reanimar de qualquer jeito. Por isso, o diálogo deve ser iniciado”, considera o representante do Kremlin.

Peskov adicionou também que, levando em consideração “o atual agravamento das relações bilaterais sem precedentes”, seria interessante entender sobre o que e como conversam os presidentes.

“Mas aqui é impossível tomar decisões no lugar do outro lado. Tango é dançado em pares”, concluiu.

As relações entre Washington e Moscou tradicionalmente têm caráter intenso. Em 2014, elas pioraram após o golpe de Estado na Ucrânia e a anexação da Crimeia à Federação da Rússia. Em 2016, após eleições presidenciais nos EUA, Washington acusou Moscou de interferência eleitoral. A Rússia repetidamente negou todas as acusações, mas os norte-americanos regularmente impõem sanções contra cidadãos, companhias e todos os setores econômicos russos. O novo agravamento começou após declarações midiáticas de Biden que ocasionaram a convocação do embaixador da Rússia em Washington, Anatoly Antonov, para consultas em Moscou.

 

 

Vladimir Putin

Vladimir Putin (Foto: Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS)

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