Projetos ajudam pessoas carentes a planejar construção da própria casa no Espírito Santo

Assistência técnica oferecida por esses grupos poderia ter evitado tragédias como o desabamento de uma casa na Serra, que aconteceu nesta segunda-feira (19).

Por André Falcão, TV Gazeta e G1 ES

Alunos de engenharia da Ufes ajudam a planejar casas de famílias carentes no ES

Há quase dez anos, projetos encabeçados por alunos e professores de universidades da Grande Vitória ajudam famílias carentes do Espírito Santo a projetar a construção e a reforma de casas. O objetivo é orientar a condução segura das obras e evitar acidentes.

Esse tipo de iniciativa evitaria histórias como a do desabamento de uma casa no bairro Jardim Carapina, na Serra. O dono da casa disse que ela foi construída com areia da praia, já que ele não tinha dinheiro para comprar material de construção.

Uma equipe de engenheiros vistoriou o local e explicou que, com o tempo, a maresia que vem com a areia corrói as estruturas metálicas. Além disso, a laje foi construída com excesso de peso.

Um dos projetos é o Zelar, de uma faculdade particular localizada no bairro Forte São João, em Vitória. Inicialmente, o projeto atendia os bairros Forte São João, Romão e Cruzamento. Depois, foi ampliado para toda a cidade de Vitória.

Famílias que têm interesse em buscar ajuda precisam entrar em contato com a instituição e apresentar a situação da casa.

“A assistência técnica parte da elaboração do projeto, quando temos que conhecer a família, visitar o local, saber as necessidades. Fazemos o serviço completo, como é oferecido pelos profissionais contratados”, explicou o estudante de arquitetura e urbanismo Junior Cunha, do Projeto Zelar.

Além do Zelar, existe na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) o projeto Engenheiros Sem Fronteiras, de alunos voluntários da Ufes e de outras instituições.

De acordo com o coordenador, o professor Elcio Cassimiro Alves, o projeto surgiu em 2013 como forma de oferecer uma formação mais humana aos estudantes de engenharia.

“Desde 2013, a gente vem com esse intuito de levar formação humana aos cursos de engenharia. O projeto não se restringe somente à Ufes, envolve alunos de outras instituições da Grande Vitória. Somos uma universidade pública e, por isso, temos a intenção de dar um retorno para essa população que tanto precisa”, salientou o professor.

Ambos os projetos atendem famílias com até três salários mínimos de renda. Apesar do auxílio técnico, o valor da obra é custeado pela família.

Além disso, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) informou que desde o ano passado tem realizado reuniões com alguns parceiros visando à implantação do Programa de Engenharia Pública e Social para oferecer assistência técnica de graça, conforme prevê uma lei federal de 2008.

Para isso, serão necessários convênios com prefeituras e entidades de classes, o que deve acontecer a partir do ano que vem.

Já o Conselho de Arquitetura e Urbanismo informou que desde 2007 destina até 2% do orçamento para apoiar a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social. Esse apoio pode ser para capacitação profissional, eventos ou financiamento de projetos por meio de edital de patrocínio.

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