Projeto coordenado pela Adasa representa Brasil em prêmio internacional

Um projeto que acontece na bacia hidrográfica do Ribeirão Pipiripau, no Distrito Federal, ganhou destaque mundial e está concorrendo ao prêmio “Water Change Maker Awards”, promovido pela Global Water Partnership (GWP). A iniciativa reconhece ações de destaque socioambiental em questões relacionadas à água, e avaliou 340 trabalhos, de mais de 80 países. 

O “Projeto Produtor de Água na Bacia do Ribeirão Pipiripau” chamou atenção pela união de esforços e resultados satisfatórios no local, que abastece mais de 200 mil pessoas, alcançando as populações das Regiões Administrativas de Planaltina e Sobradinho. Ao todo, são 200 produtores rurais e 17 instituições participando da iniciativa, coordenada pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa).

As ações são divididas em sete grupos de trabalho, e têm como objetivo promover reflorestamento de áreas degradadas, cercamento de nascentes e Áreas de Preservação Permanente, adequação de estradas rurais, conservação do solo e melhoria da infiltração da água, por exemplo. Jorge Werneck, diretor da Adasa, lembra que existiam conflitos hídricos históricos na bacia, principalmente porque a água não era suficiente para todos os produtores, algo que foi mudado.

“O projeto visa implementar boas práticas agrícolas, boas práticas ambientais e também de engenharia para melhorar o uso da água e a gestão de recursos hídricos, nessa importante área que contribui para o abastecimento de, aproximadamente, 200 mil pessoas dentro do DF. Os 600 produtores rurais que estão naquelas bacias são beneficiados ou têm potencial de serem beneficiados pelo projeto”, explica.

Benefícios

O programa foi implantado na Bacia do Ribeirão Pipiripau em 2011. Quem foi contemplado por essas ações ressalta as mudanças provocadas por ela, como Flávia Kikuchi, produtora rural, presidente da Associação de Usuários do Canal de Abastecimento de Água do Núcleo Rural Santos Dumont. Ela cultiva hortaliças e comercializa os alimentos nas Centrais de Abastecimento (Ceasa), e sofreu durante o período de crise hídrica, minimizado por ações do projeto.

“O que nós conseguimos aqui foi ampliar as reservas das propriedades, também foi feito, na beira das estradas, os bolsões para reter a água pluvial para que possa abastecer o lençol freático e, através desse projeto, também nas propriedades, foram realizados os revestimentos nos reservatórios de água para evitar perdas por infiltração, tendo um aproveitamento maior da água, sem desperdício”, conta.

Marco Alexandro, coordenador de Implementação de Projetos Indutores da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), lembra que os trabalhos garantem água para atividades econômicas essenciais nas regiões. 

“Esse projeto serve de vitrine e inspiração para outros projetos desse tipo no País, mostrando assim que, com esforço coletivo, coordenado e com engajamento, envolvendo governo, usuários e a sociedade civil, é possível solucionar situações de problemas que fazem parte do nosso dia a dia”, avalia. 

A premiação conta ainda com iniciativas em Bangladesh, Bolívia, Butão, Canadá, Egito, Equador, Filipinas, Honduras, México e Quênia. O anúncio do projeto vencedor será realizado em 25 de janeiro, durante a Cúpula de Adaptação Climática 2021, que acontecerá de modo virtual. Para votar na ação brasileira basta entrar no site gwp.org/vote e clicar no ícone do coração abaixo do Projeto Produtor de Água no Pipiripau. Não há limites de votos por pessoa. 
 

Bacia do Ribeirão Pipiripau: Agência Brasília/Divulgação

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