Programa Agro Fraterno estimula doações para combater a fome no Brasil

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O combate à fome no Brasil tem agora mais uma frente: o Programa Agro Fraterno, que estimula produtores rurais, cooperativas, empresas e entidades do setor a ajudarem por meio de doações de alimentos e recursos. A ação teve a iniciativa de entidades do agronegócio nacional e a coordenação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Instituto Pensar Agro (IPA).

O assessor da presidência da CNA e presidente do IPA, Nilson Leitão, afirma que o setor agro, em várias entidades, já realiza trabalhos de arrecadação e doação de alimentos às famílias necessitadas. Mas, a pedido do Ministério da Agricultura, o setor unificou essa ação social no selo Agro Fraterno.

“É um selo que motiva e convoca os produtores brasileiros, a agroindústria, a OCB, todas as outras entidades, associações, agroindústria. Cada um da sua política interna, com o único objetivo de reduzir esse momento dramático de muitas famílias vulneráveis devido à pandemia”, explica.

Segundo Nilson Leitão, toda doação é bem-vinda, como produtos alimentícios, recursos financeiros, vale mercado, vestuário e “tudo aquilo que puder socorrer as pessoas no momento de vulnerabilidade da pandemia”.

“Cada realidade vai se moldando ao programa, por isso que ele não tem apenas uma ferramenta; ele vai sendo construído conforme vai encontrando as necessidades em cada local”, afirma.

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O presidente do IPA esclarece que a organização do setor agro facilita o desenvolvimento do Programa Agro Fraterno.

“Vai ser muito simplificado. Dentro de cada município pode ter o cadastro da assistência social. O sindicato rural vai se organizando na sua cidade; o produtor individualmente também vai fazendo esse trabalho. Não tem nada de burocrático e não tem contrato com o governo. Acima de tudo, é uma convocação de solidariedade e de caridade”.

Fome no Brasil

Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostram que 116 milhões de brasileiros – 55,2% da população – não tem acesso pleno e permanente a alimentos. Dentre eles, 19 milhões enfrentam a fome em seu dia a dia. O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 24 de dezembro de 2020.

Além disso, a pesquisa aponta um aumento de 54% na insegurança alimentar das famílias brasileiras desde 2018, sendo mais presente nas áreas rurais, no Norte e Nordeste do País, e em casas chefiadas por mulheres, pessoas pretas e pardas e com baixa escolaridade.

Arte - Brasil 61

A pesquisadora Adriana Salay Leme, doutoranda em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), explica que a fome é um problema histórico no Brasil, anterior à pandemia.

“Essa fome – que não está ligada a uma crise, a um problema climático, a uma guerra, a um problema externo – faz parte dos cotidianos. E ela sempre esteve presente no Brasil, porque é fruto da desigualdade social. Mas a partir de 2016, a gente começa a enfrentar uma crise política e econômica, com o aumento do desemprego, o aumento da perda de renda, o aumento do trabalho informal, somado com o desmonte de políticas públicas importantes, que faz com que os níveis de fome aumentem já em 2018”, esclarece.

Segundo o presidente do IPA, Nilson Leitão, uma vez cadastradas no programa Agro Fraterno, as famílias receberão o apoio necessário até conseguirem melhores condições de emprego e renda.

“A cesta que vai ser recebida por uma família, pode durar um dia, dois, três, uma semana. A saída das famílias desse cadastro é quando elas tiverem emprego e podendo ter sua renda com o seu próprio suor. Enquanto isso, as organizações, como o setor do agro, tomarão essa frente, para fazer a parte que às vezes o governo sozinho não consegue”.

Em breve estará no ar o site www.agrofraterno.com.br, onde os doadores poderão se cadastrar e registrar as doações. Na plataforma também será possível especificar como a doação foi realizada, onde e para quem, além de inserir fotos, vídeos e outros materiais que comprovem a ação, em prol das famílias brasileiras em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Cesta verde - Foto: Aderes/Governo do Espírito SantoCesta verde – Foto: Aderes/Governo do Espírito Santo

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