Professor que amarrou perna de aluno é indiciado pela Polícia Civil

O professor municipal de Vitória que amarrou a perna de um adolescente de 12 anos na cadeira de sala de aula foi indiciado pela Polícia Civil.

O educador vai responder por crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, que é submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento.

O caso aconteceu em 15 de junho, na escola EMEF Eunice Pereira da Silveira, no bairro Tabuazeiro. O processo segue agora para análise do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

 

A Prefeitura de Vitória informou que o profissional foi afastado por mais 30 dias das atividades educacionais. Ele já havia sido afastado no dia 15 de junho, quando começaram as investigações.

O MPES foi questionado sobre a condução das investigações. Assim que responderem, a matéria será atualizada.

Entenda o caso

Imagem mostra um dos pés do menino amarrado ao pé da carteira escolar, foi feito por um colega de turma. A mãe conta que ficou sabendo do caso quando chegou em casa e viu o celular do filho.

“Ele chegou em casa, botou o celular para carregar e viu o vídeo que as crianças postaram, num grupo que eles fizeram”, relatou a mãe que não quis se identificar.

A mãe do menino acionou a Justiça contra o professor que teria prendido o menino. Segundo a ela, o garoto, que estuda no 6º ano do ensino fundamental, ainda está muito abalado com o que aconteceu.

Em entrevista à equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV, no dia 17 de junho, a mulher disse que estava tomando as devidas providências para acionar o professor na Justiça.

“Tem algumas pessoas que já estão me ajudando. Eu quero processá-lo, porque todo mundo está vendo meu filho amarrado. Ele está sofrendo bullying e não quer participar do mesmo grupo que ele participa na escola, com medo dos colegas rirem dele. Então, eu vou procurar os meus direitos”, afirmou.

A

 mulher relatou ainda que o filho tem déficit de atenção e que faz acompanhamento médico, mas que é uma criança normal.

“Fiquei muito triste, chorei. É um filho. Você botar para fora uma criança e criar do seu jeito, e vir outro e querer bater, amarrar, é muito triste. Ele é uma criança maravilhosa, não tem problemas com ninguém. Ele não é doido. Ele toma sim um remédio à noite porque ele tem déficit de atenção, e também toma um de manhã, para memória. Mas é um menino exemplar na escola”, afirmou na época.

“Professor sofre de depressão”, defendeu o advogado

Após a repercussão do caso, o advogado de defesa do professor Ugo Fleming disse na ocasião que o educador sofre de depressão e que se arrependeu da atitude em sala de aula.

“Ele reconhece que é uma atitude infeliz, que poderia ter tomado outra atitude, conversado com o aluno ou encaminhado ele para a direção. Mas ele entendeu que o aluno teria a ficha manchada e não queria isso”, justificou o advogado.

O professor, que ensina Ciências, tem quase 25 anos de magistério, 14 deles na Prefeitura de Vitória. Segundo o advogado, ele não tem processo administrativo no histórico.

“Ele é professor acolhedor. Tem um trabalho diferenciado com os alunos, ele senta do lado e conversa, passa a matéria e procura entender o contexto econômico e psicossocial do aluno”, defendeu Ugo na ocasião.


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