Políticos colocam eleitores de Água Doce do Norte em “fila indiana”, como gado sendo levado para morrer

Choque, agitação e berro. Esse é o tortuoso caminho do boi para o abate em um matadouro.

O cantor Paul McCartney disse certa vez que, se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. É fácil entender a frase depois que se acompanha um abate. Mesmo legalizada, a morte do boi impressiona: é um misto de pavor, sangue, destreza e indiferença.

O martírio começa 12 horas antes do fim, quando ele deixa de ser alimentado. No matadouro, os bois seguem em fila indiana para o box de atordoamento. Para chegar, percorrem um corredor estreito onde só cabe um animal de cada vez. Bovinos que empacam são cutucados com um vara que emite choques de 12 volts na ponta.

Um a um, os bois chegam à porta do box. Do outro lado do box, pouco acima da altura do animal, um funcionário do matadouro aguarda. É ele quem vai imobilizar bois de aproximadamente 250 quilos.

Para dar conta da tarefa, carrega uma pistola pneumática. É uma espécie de furadeira que ejeta um cano de 15 centímetros de comprimento, a 120 quilômetros por hora, no alto da cabeça do animal. O lápis de aço fura o crânio do boi, que tomba inconsciente. Se o boi resistir, são necessários dois ou três disparos antes do desmaio.

Durante esse percusso, o parece sentir que vai morrer, mas não tem o que fazer.

Até que se torne um bife, várias são as etapas dentro do matadouro, mas essa é outra história. O que falaremos é sobre o “beco sem saída” em que o boi percorre até chegar a hora da morte.

A comparação que faz o título da matéria é sobre esse corredor estreito, sem volta. Em Água Doce do Norte, é assim que os velhos políticos estão tratando os eleitores, como gado no corredor, como se eles não tivesses outra saída a não ser a velha política.

Talvez por falta de “sangue novo”, como vem acontecendo em diversas cidades do país, os antigos políticos estão transformando Água Doce do Norte em um “matadouro”. Empurram os eleitores pelo corredor estreito, sem opções a não ser seguir em frente, e quando menos esperam são “golpeados”.

É assim que vem acontecendo nos últimos anos em Água Doce.

De uma lado, o grupo do ex-prefeito Abraão Lincon, que nada fez pelo município e agora pretende nada fazer. Desde quando deixou a prefeitura a única ação que fez até hoje foi tentar voltar.

Do outro lado, o grupo do atual prefeito, Paulo Márcio, que se tornou referência estadual de como não administrar uma prefeitura. Uma administração bagunçada, com piores referências no Tribunal de Contas e polêmicas em diversas áreas, como o caso da saúde municipal que consultava até gente morta.

É difícil saber qual dos dois é pior para Água Doce nesse momento. Daria um livro se fosse apontar as mazelas causadas por Abraão Lincon e Paulo Márcio, mas não é esse o objetivo, pelo menos por enquanto.

Com os dois grupos “cercando” a população, a impressão que se tem é que não há opção senão seguir o corredor. Eles nos empurram como se não tivesse meio de fugir.

Até os novos nomes quando surgem acabam se juntando a eles. São a escória da política aguadocense.

E porque tudo isso? Apenas para se perpetuarem no poder!

Uma coisa chama atenção nesse cenário: ambos têm apoio de parte da população. Assim como no corredor da morte, que tem os funcionários do frigorífico, com bastões elétricos para “dar choque” no gado que tentar escapar do corredor.

Esses os defendem com unhas e dentes, sem nenhum sentimento de culpa ou peso na consciência, afinal de contas, precisam garantir a “boquinha”.

E nossa população, infelizmente, assiste a tudo sem se revoltar. Exatamente como gado, que está sendo levado pelo corredor estreito, sente que vai morrer, mas não tem forças para fugir do cerco.

Espero que um dia nossa cidade acorde e procure um caminho, fora de Abraão, fora de Paulo Márcio e fora de tudo aquilo que os dois representam para o município.

O meu sonho é que um dia, quem sabe, o gado deixe de entrar no corredor da morte. Que pelo menos uma vez fujam desses grupos que só sufocam a população. Talvez seja utopia de quem vive aqui nessa pequena cidade, talvez seja ilusão, mas continuo acreditando que vale a pena sonhar.

**Texto enviado pelo leitor João Paulo, Água Doce do Norte

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