Pico de casos de Covid-19 em novembro será maior do que o da primeira onda, diz secretário

O secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, usou o Twitter nesta terça-feira (17) para divulgar uma análise sobre o enfrentamento à segunda onda da Covid-19 no Estado. De acordo com ele, o pico de casos da doença na Grande Vitória em novembro deste ano será maior que o pico registrado na primeira onda.

Ao começar uma série de postagens, Nésio citou que diversos estados do país vem experimentando uma nova tendência de aumento de casos leves, graves e de óbitos. O Espírito Santo parece acompanhar parte dessa tendência.

Segundo ele, no fim de outubro, houve uma oscilação no número de internações causadas pela doença no Estado. Esse crescimento foi percebido primeiro nas enfermarias e, agora, nas Unidades de Terapia Intensiva [UTIs].

“Nos três últimos dias, a ocupação ultrapassou a variação de 330 [pacientes/dia], apresentando tendência clara de crescimento de casos graves. Esse comportamento foi precedido de um aumento sustentado de internações em enfermarias a partir do dia 14 de outubro”, destacou.

Nesse sentido, o secretário chamou atenção para o comportamento da pandemia na Região Metropolitana de Saúde, que compreende a Grande Vitória e outros municípios das regiões Serrana e Noroeste do Estado.

Segundo ele, no interior da região metropolitana, após uma estabilização de casos entre 7 de setembro e 14 de outubro, a média móvel de 14 dias voltou a crescer, ultrapassando o limite do pico de casos observado na primeira onda. “Até o final de novembro, o novo pico de casos neste território será substancialmente maior que o da primeira curva”, escreveu

No entanto, o secretário afirmou que a letalidade pela Covid-19 na região nos respectivos meses é menor que no período anterior, embora outubro tenha apresentado mais óbitos que setembro.

Para ele, essa redução na taxa de letalidade da doença no Estado se deve ao aumento da capacidade de testagem da população e à melhora do manejo clínico da doença.

Nésio enfatizou que o cenário vivido atualmente já fazia parte de um quadro de previsões do Governo do Estado sobre o comportamento da doença e que, durante a primeira onda, o Estado fortaleceu a rede de atendimento com ampliação de leitos e abertura de hospitais.

Entretanto, neste novo momento, a preocupação se deve à sobrecarga no sistema de saúde. Somadas à Covid-19, as doenças infecciosas e problemas nutricionais, causas externas e as doenças crônicas descompensadas pressionam a demanda pelo atendimento.

“Neste exato minuto em que escrevo, somente cinco pacientes aguardam leito de isolamento de UTI-Covid em toda a Grande Vitória. A demanda por UTI não-Covid é maior que a pressão assistencial de pacientes com Covid-19. O mesmo comportamento ocorre com a demanda de leitos de enfermaria”, exemplificou.

Diante dos dados, o secretário disse que a sociedade precisa se atentar à necessidade de coesão e disciplina social nesta nova fase. “Apostar na imunidade de rebanho é insanidade”, escreveu.

Para concluir a análise, Nésio destacou que o cenário pandêmico ainda deve se estender e que é preciso manter as medidas de prevenção ao vírus.

“A pandemia não acabou, temos pelo menos mais 8 meses de resistência até ter o processo de vacinação alcançando os primeiros grupos prioritários. Seguiremos convivendo com o uso de máscaras, protocolos sanitários, isolando sintomáticos e testando/monitorando amplamente a população”.

Nésio Fernandes é secretário estadual de Saúde no ES — Foto: Divulgação/ Sesa

 

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