Pfizer teria exigido ativos soberanos como garantia para vender vacinas a países da América Latina


A norte-americana Pfizer impôs uma série de condições abusivas ao países da América Latina interessados em adquirir a vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica, que incluem a colocação de ativos soberanos de países como garantia, inclusive bens públicos, como embaixadas e bases militares, ou reservas de bancos federais. Segundo reportagem da RT, a informação foi revelada em uma publicação feita pelo Bureau of Investigative Journalism (TBIJ), em conjunto com os meios de comunicação peruanos Ojo Público. 

De acordo com a reportagem, a forma de proteção requerida pela Pfizer contra eventuais demandas após possíveis resultados adversos após a aplicação da vacina foi considerada como uma “intimidação de alto nível”. No caso da Argentina, a farmacêutica pediu que fosse feito um seguro internacional contra possíveis conflitos e exigiu que o país disponibilizasse ativos como imóveis estratégicos e recursos do banco Central. A Argentina refutou as exigências e as negociações acabaram canceladas. 

Conflito semelhante também teria acontecido no Brasil após a Pfizer exigir que o país disponibilizasse ativos soberanos e depositasse “dinheiro em uma conta no exterior para criar outro fundo garantidor”, ressalta o texto da RT. As cláusulas foram consideradas “abusivas” pelo Ministério da Saúde. Apesar da Anvisa ter aprovado o uso da vacina da Pfizer no país, a compra do imunizante não foi efetivada.  

Apesar dos entraves, a Pfizer conseguiu vender sua vacina para nove países da América Latina e do Caribe:  Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México, Panamá, Uruguai e Peru. Os detalhes dos acordos não foram revelados. 

(Foto: Dado Ruvic/Reuters)

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