Pesquisa revela diversidade de anfíbios encontrados no Monumento Natural Serra das Torres

Sapo-Pulga (Brachycephalus didactylus) ocorre também no Rio de Janeiro, mas no Espírito Santo, apenas no Monast – Jane Oliveira.

O Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast) foi tema de uma pesquisa, publicada em uma importante revista científica. Com o nome “Anfíbios do Monumento Natural Serra das Torres: um reservatório da biodiversidade da Mata Atlântica no Sudeste do Brasil”, o artigo foi escrito pela bióloga e pesquisadora, Jane de Oliveira, e revelou que a Unidade de Conservação preserva diversidade considerável de anfíbios da Mata Atlântica, reforçando a necessidade de conservação desse remanescente florestal.

A publicação teve o objetivo de inventariar a fauna de anfíbios do Monast, que ocupa 10.458,90 hectares de Mata Atlântica, entre os municípios de Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul. Foram registradas 54 espécies. “Temos espécies que só ocorrem no Monast, como uma micro rãzinha, a Euparkerella robusta. Temos também três espécies que, embora ocorram em outros estados, só são encontradas atualmente no Espírito Santo, dentro dos limites do Monast”, explica Jane de Oliveira.
A bióloga destaca ainda que, de maneira geral, anfíbios são ótimos indicadores de qualidade de uma floresta. “Eles são animais muito sensíveis a alterações e diante de pequenas mudanças nos ecossistemas, podem desaparecer. Quando encontramos uma floresta preservando tantas espécies e, muitas delas endêmicas e raras, sabemos que a floresta está boa”, conta.
Ou seja, conhecer essas espécies mostra que o Monast está fazendo um importante papel de proteção e que, ao mesmo tempo, é uma floresta potencialmente preservada para outras espécies de outros grupos da fauna e flora. “Temos muitas espécies que dependem de água limpa e fresca para sobreviver, indicando que as nascentes do Monumento são muito preservadas”, ressalta a pesquisadora.

Como as espécies são sensíveis até mesmo a pequenos desmatamentos e mudanças na água, preservar a região e manter os remanescentes sem alterações é imprescindível. “Hoje temos um bom quadro no Monast, mas tudo pode ser modificado rapidamente. Está tudo conectado: não são só sapinhos morrendo, é a floresta mostrando que tem algo errado”, informa a bióloga

O artigo é resultado de uma pesquisa desenvolvida por Jane de Oliveira no Monast ao longo do ano de 2018, mas a história da bióloga na região começou muito antes do Monumento se tornar uma Unidade de Conservação. Ela fez parte do estudo para criação do Monast, onde também fez as pesquisas de mestrado em 2009 e 2010, voltando em 2018 como pós-doutoranda.

O artigo completo está disponível em https://www.scielo.br/j/bn/a/HWJnfCpTFS6pkN3STbdD3Jm/?lang=en.


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