Pandemia pode gerar sintomas de ansiedade nas crianças, alerta especialista

Tristeza, dificuldade de concentração e vontade de comer mais estão entre os sinais que podem indicar maior ansiedade e estresse entre os pequenos. Por isso, os pais devem estar atentos.

Por Gabriela Ribeti, G1 ES

Apesar de fundamental, a necessidade de isolamento imposta pela pandemia do coronavírus vem se mostrando como um desafio não só para os adultos, como também para as crianças. A falta de interação com outros núcleos para além da família pode levar a um aumento da ansiedade entre os pequenos e, por isso, os pais devem ficar atentos às mudanças de comportamento.

“A falta de brincar com outras crianças, a falta da escola, do convívio social de maneira geral e até da família, de forma mais ampliada. A ausência desses estímulos acaba prejudicando o desenvolvimento e levando a uma ansiedade maior”, explica a psicanalista Luciana Lima.

Entre os sintomas que podem indicar a ansiedade nas crianças, a especialista destaca a tristeza, uma maior agitação, dificuldade de concentração, dificuldade para dormir e até o aumento da fome.

Para tentar amenizar os impactos do distanciamento, a organização da rotina, de acordo com a realidade de cada família, é um passo importante. É isso que tem feito a diferença na casa da cozinheira Patrícia Pêgo. Desde o início da pandemia, os filhos passaram a ficar o dia todo em casa, enquanto ela trabalha com a produção de comidas congeladas para venda.

Bruna, de seis anos, e Marcelo, de dez, se dividem entre as aulas online e as brincadeiras, e ainda passaram a ajudar mais nas tarefas de organização da casa. Além disso, a cadela da família, que antes só ficava na área externa na casa, agora divide o espaço interior, a fim de fazer mais companhia para a família.

Bruna Pêgo, de 6 anos, e o irmão, de 10, passaram a ajudar mais nas atividades de casa na pandemia.

Bruna Pêgo, de 6 anos, e o irmão, de 10, passaram a ajudar mais nas atividades de casa na pandemia.

Apesar de a pandemia ter estreitado os laços entre pais e filhos, Patrícia percebe que as crianças, especialmente Bruna, dão sinais mais fortes de estresse.

“Eu vejo ela com dificuldade para dormir, mais estressada a noite, quando chega a noite ela fica mais agitada. E comendo mais, sentindo mais fome. Ela mudou algumas coisas nessa pandemia”, observa a mãe.

Já Marcelo, não tem dúvidas do que mais sente falta. “A primeira coisa que eu quero fazer é ver meus amigos. Eles fazem muita falta”.

Marcelo Pêgo, de 10 anos, negocia com a mãe o tempo que pode utilizar o computador para jogar. — Foto: reprodução/TV Gazeta

Marcelo Pêgo, de 10 anos, negocia com a mãe o tempo que pode utilizar o computador para jogar. — Foto: reprodução/TV Gazeta

Os jogos e brincadeiras online também fazem parte do dia a dia das crianças. No entanto, a psicanalista Luciana adverte que é preciso controlar o tempo de exposição dos pequenos às telas, já que o excesso pode acabar elevando os níveis de estresse e de ansiedade. O ideal é dinamizar as tarefas.

Leia mais

Leia também