Pandemia impacta pesquisa sobre baleias Jubarte no Espírito Santo

Depois de dois meses sem expedições, pesquisadores voltaram ao mar para observar a espécie.

Por Fabio Linhares, TV Gazeta

A pandemia do novo coronavírus atrasou em quase dois meses o início das expedições para pesquisas sobre baleias Jubarte no Espírito Santo. Por outro lado, a queda da movimentação de embarcações no mar faz com que os animais apareçam mais perto da costa. Por enquanto, os passeios para turistas continuam suspensos até que um protocolo de segurança seja estabelecido e validado.

As baleias Jubarte saem todos os anos dos mares gelados da Antártica e procuram as águas quentes e mais calmas do Brasil, entre os meses de junho e novembro, para a reprodução da espécie.

Nesse período, os pesquisadores produzem conteúdo, analisam e coletam informações sobre reprodução, composição social, biogeográfica, comportamento, entre outros, e, desde 2014 – quando começaram as pesquisas – produzem um relatório anual sobre as baleias.

Para recolher esses dados, os pesquisadores fazem cerca de seis saídas por mês, totalizando mais de 40 na temporada. Este ano, por causa do coronavírus, equipes do projeto Amigos da Jubarte fizeram duas, e a primeira foi só para testar equipamentos.

Na última sexta-feira (10), aconteceu a segunda viagem, que foi acompanhada por uma equipe da TV Gazeta.

Para os pesquisadores, cada mês de observação perdido é uma lacuna no relatório de dados que o grupo precisará corrigir estatisticamente nos próximos anos.

“Essa lacuna pode ser substancial para os dados e para os relatórios que a gente emite na pesquisa com as baleias. Isso preocupou a gente e ainda preocupa”, declarou Thiago Ferrari, coordenador do Jubarte Lab.

O grupo ainda tenta analisar se o comportamento das Jubarte mudou durante a pandemia. Os pesquisadores acreditam que, com a atividade econômica reduzida e menos barcos no mar, a diminuição de ruídos pode favorecer que as baleias apareçam mais perto da costa.

Durante a expedição do dia 10, os grupos começaram a aparecer na primeira hora de viagem, a 20 quilômetros da costa. Em meia hora, cerca de oito baleias passaram no mesmo ponto.

“É possível que essa redução de ruídos esteja favorecendo os cetáceos em geral. Ou seja, elas podem estar se sentindo mais confortáveis sem tanto barulho nos oceanos”, explica Ferrari.

Além do monitoramento pelo barco, os pesquisadores também registram os animais com um drone, o que ajuda na identificação das baleias.

Isso porque as manchas na cauda servem como impressões digitais. Com esses dados, é possível verificar se elas já passaram pelo estado ou por alguma outra parte do mundo.

“De cima, com o drone, a gente consegue visualizar comportamentos que do barco não conseguimos. Registramos as interações delas com embarcações e os movimentos que elas fazem”, explicou Leonardo Merçon, coordenador do projeto Amigos da Jubarte.

Protocolo de segurança

Para que a volta da pesquisa acontecesse, foi necessário que os pesquisadores se adaptassem a um novo protocolo para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Antes de sair para a expedição, a lancha é higienizada e só pode seguir com metade da capacidade total.

Todos os integrantes têm a temperatura verificada e recebem kits com máscaras especiais, luvas, álcool gel e alimentação individual.

“Apesar de ser um local aberto, devido a estar em uma embarcação no mar, são poucos os locais para rodízio de pessoas. Estamos indo junto para ver essas dificuldades com a quantidade de pessoas para delimitar e manter o distanciamento social que vale na embarcação”, informou o técnico de segurança do trabalho Cláudio Mendes, que acompanhou a viagem.

Preservação e turismo

Nesse período observado, os pesquisadores viram, graças ao trabalho de preservação da espécie, a população de Jubarte crescer de mil para 25 animais.

“As pessoas só protegem o que sabem que existe. Então, você vindo aqui e vendo essas baleias, elas ficam mais perto da sua realidade e você vai querer fazer mais coisas para proteger e conservar”, disse Merçon.

Só no ano passado, quase mil turistas fizeram a observação de baleias. No entanto, o avistamento de baleias ainda está suspenso.

“A gente ainda depende de informações externas, como contágio do coronavírus, número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entre outros, para um retorno próximo”, explicou Ferrari.

 

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