Órgãos do Espírito Santo registram aumento no número de atendimentos a mulheres vítimas de violência

Na Defensoria Pública Estadual, foram 285 pedidos de ajuda entre os meses e março e junho deste ano, contra 73 registrados no mesmo período em 2019.

O número de mulheres vítimas de violência que procuraram ajuda da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) cresceu quase 300% em relação ao ano passado. De acordo com dados do órgão, foram 285 atendimentos entre os meses de março e junho deste ano, contra 73 registrados no mesmo período em 2019.

No Centro de Referência e Atendimento a Mulher, na Casa do Cidadão, em Vitória, foram mais de 400 pedidos de ajuda desse tipo.

De acordo com a coordenadora do Centro, Carla Coutinho, o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus tem influência nesses números.

“Durante pandemia, a tendência foi que esses relacionamentos piorassem, porque as pessoas estão estressadas, com mais problemas, tem a questão do desemprego, elas ficam mais dentro de casa. E agora, nos meses de maio e junho, a gente teve um número maior de atendimentos”, disse.

Na Defensoria, parte das vítimas buscou atendimento para conseguir manter uma distância segura do agressor. De acordo com o órgão, de 8 de maio até 13 de julho, foram recebidos 61 pedidos medidas protetivas on-line.

Uma pesquisa feita com as vítimas mostrou que 59,2% foram agredidas pelos maridos ou companheiros, 100% sofreram agressão psicológica, 57,1% sofreram agressão moral, 34,7% foram vítimas de agressão física, 24,5% sofreram agressão patrimonial e 4,1% sofreram violência sexual.

Subnotificação

Segundo Maria Gabriela Agapito, coordenadora de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, apesar do aumento o número de atendimentos registrado pela Defensoria, há ainda uma grave situação de subnotificação.

A coordenadora explica que essa situação é agravada pelo monitoramento constante do agressor e o crescimento da vulnerabilidade social, dificultando ainda mais que as mulheres nessa situação acionem a rede de atendimento e os canais de denúncia.

Maria Gabriela acredita que uma das causas para o crescimento da quantidade de atendimentos é o aumento do número de defensoras em atuação no núcleo.

“Em 2019, tínhamos apenas uma e agora contamos com o apoio de mais três que realizam os atendimentos encaminhados pelos centros de referência de atendimento às mulheres, bem como dos formulários de medidas protetivas online”, disse.

Atendimento

Na Defensoria Pública Estadual, o atendimento às mulheres em situação de violência doméstica é feito por meio do WhatsApp (027) 99837.4549 e o canal para solicitar medidas protetivas on line pode ser acessado neste link https://tinyurl.com/yacohef4.

Na Casa do Cidadão, o Centro de Referência e Atendimento a Mulher também continua funcionando pela internet e telefone.

“Mas, se mulher necessitar de uma ajuda presencial, a gente pode estar marcando para atender. A gente precisa da ajuda da população”, disse a coordenadora.

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