Operação Mata Atlântica em Pé identifica quase 50 hectares de área desmatada no Espírito Santo

Cerca 50 hectares de Mata Atlântica desmatada foram identificados durante a operação “Mata Atlântica em Pé” do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf-ES). O resultado foi divulgado na tarde desta terça-feira (5).

A operação foi deflagrada em 17 estados brasileiros que integram o bioma Mata Atlântica. O objetivo foi identificar as áreas de Mata Atlântica desmatadas ilegalmente no último ano e responsabilizar os infratores nas esferas administrativa, civil e criminal.

No Espírito Santo, a ação foi realizada em 21 pontos de fiscalização nos municípios de Colatina, no Noroeste do estado; Linhares, na região Norte; Domingos Martins, na região Serrana; e Vargem Alta, no Sul, entre os dias 20 e 30 de setembro.

As autuações pelos crimes ambientais somaram mais de R$ 1,1 milhão. A fiscalização identificou diversos pontos de desmatamento em Linhares e Colatina.

Além do Idaf, participaram da ação o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoa) do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

No município de Colatina, foram vistoriadas áreas de desmatamento ilegal de Mata Atlântica para conversão em áreas de agricultura. Foram lavradas nove autuações pelo Idaf em função da identificação de desmatamento irregular de 36,5 hectares de vegetação nativa.

Já no município de Linhares, o principal objetivo do desmatamento ilegal está relacionado à implantação de loteamentos irregulares. Foi constatado mais de 150 hectares de áreas de Cabruca, que é um sistema agroflorestal de produção de cacau em consórcio com espécies nativas da Mata Atlântica, seriam usadas para a implantação de loteamentos irregulares. No município, foram lavradas autuações pelo Ibama e pelo Idaf que ultrapassam R$ 640 mil.

Em Domingos Martins e Vargem Alta foram quatro novas autuações. O Ibama e o Idaf já tinham autuado 4,1 hectares por desmatamento irregular. O Ibama também lavrou dois descumprimentos de embargo em áreas anteriormente autuadas e outras três autuações foram lavradas pelo Iema, referentes à movimentação de solo, terraplanagem, parcelamento do solo e intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) junto à loteamento de aproximadamente 4 hectares. Os valores das multas lavradas nessa segunda etapa somam R$ 496 mil.

O promotor de Justiça Marcelo Lemos Vieira, dirigente do Caoa, disse que as irregularidades identificadas na operação não só atentam contra a vida dos animais mas contra a economia.

“O país fica vulnerável em função da situação financeira e sustentável. Seria bom que a operação não existisse mas se ela existe é porque ainda existe esse avanço em relação à esse bioma tão importante”, disse.

Em 2020, foram aplicados R$ 254.565 em multas por 38 infrações ambientais constatadas, incluindo desmatamentos, queimas, cortes seletivos de árvores e descumprimento a termos de embargo.

Os órgãos participantes lavraram ainda 17 autos de infração por irregularidades verificadas em 95,4 hectares de áreas embargadas, que passam por um processo de recuperação.

A fiscalização foi feita em 27 locais nos municípios de São Mateus, Nova Venécia, Pancas, Itaguaçu, Colatina, Anchieta, Afonso Cláudio, São Roque do Canaã, São Domingos do Norte, Guarapari, Domingos Martins, Alfredo Chaves, Guaçuí, Dores do Rio Preto, Conceição da Barra, Ecoporanga e Barra de São Francisco.

 

De 2020 para 2021, o desmatamento em Colatina aumentou — Foto: Divulgação/ Idaf

De 2020 para 2021, o desmatamento em Colatina aumentou — Foto: Divulgação/ Idaf

 

Desmatamento em Colatina, ES, é registrado por drone — Foto: Divulgação/ Idaf

Desmatamento em Colatina, ES, é registrado por drone — Foto: Divulgação/ Idaf

 

Desmatamento em Linhares, ES, é registrado durante operação — Foto: Divulgação/ Idaf

Desmatamento em Linhares, ES, é registrado durante operação — Foto: Divulgação/ Idaf