OMS adverte para “apartheid de vacinas”, que pode adiar fim da pandemia


A promessa de uma ampla distribuição de imunizantes contra a covid-19 entre os países mais pobres falhou e a comunidade internacional se depara com um “apartheid de vacinas”, em contraste com o que havia sido estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No início de 2021, quando as primeiras vacinas começavam a ser administradas, a OMS estipulou que, em cem dias, todos os países do mundo deveriam iniciar suas campanhas de imunização. Mas com um número de doses insuficientes, dezenas de locais não contam sequer com vacinas para atender aos médicos e enfermeiras. Enquanto isso, em alguns países ricos, jovens já estão sendo vacinados, adverte o jornalista Jamil Chade em sua coluna no UOL.

Segundo dados da OMS, até sexta-feira (9), 700 milhões de doses tinham sido distribuídas pelo mundo. Mas 87% foram destinados aos países ricos e às principais economias emergentes, incluindo Índia, China ou Brasil. Já os países mais pobres do mundo receberam apenas 0,2% das vacinas.

Se considerados apenas os países ricos, que representam 13% da população mundial, eles acumulam 49% de todas as vacinas. Já os 29 países mais pobres do planeta somaram apenas 0,1% das doses.

De acordo com a diretora-regional da OMS para a África, o continente com 1,2 bilhão de pessoas recebeu até agora apenas 2% das vacinas no mundo.

De acordo com a OMS, os governos estão prontos para receber e começar a distribuição de vacinas. “O problema não é esse. Mas a falta de doses”, alertou Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, que já chamou a disparidade de”grotesca” e ”escândalo moral”.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a desigualdade na distribuição das vacinas contra a covid-19, gestos políticos e nacionalismos podem adiar o fim da pandemia.

O esforço, neste momento, é de costurar um amplo acordo entre países fabricantes de vacinas, empresas e entidades para garantir a distribuição de doses.

Tedros Adhanon, diretor-geral da OMS

Tedros Adhanon, diretor-geral da OMS (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

Leia mais

Leia também