O patrão do mal

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Há algum tempo tive a grata oportunidade de assistir ao documentário “O patrão do mal”, uma obra tão extensa quanto profunda abordando a dura luta do povo colombiano contra os narcotraficantes ao longo de toda a década de 1980.

Chamou-me a atenção uma afirmação destacada no início de cada um dos 74 capítulos de cerca de 50 minutos: quem não conhece sua história está condenado a repeti-la. Segue, então, a detalhada descrição de tempos dolorosos.

Incomodou o mal um Ministro da Justiça? Que seja assassinado moralmente por calúnias torpes e em seguida fisicamente a tiros. Reagiram ao crime juízes e policiais? Que tenham o mesmo destino. Assim como jornalistas que ousaram expor à luz do dia realidade tão sinistra. Ou políticos que corajosamente disseram “não”.

Ao longo do caminho foi sendo sepultada com esses mártires robusta multidão de inocentes. Crianças, mulheres grávidas, idosos e tantos outros cujo único pecado foi ter estado no local errado na hora errada – cinicamente rotuladas de prosaico “dano colateral” pelos envolvidos.

Alguém poderia dizer ter sido tudo culpa de um grupelho de bandidos. Nada mais falso. Os culpados maiores estavam espalhados pelas instituições. Na mediocridade e mesmo na cumplicidade de não poucos habitantes do mundo político. Na covardia de vastos setores da imprensa que apenas reagiram tarde demais. Na corrupção vil dos infiltrados pela polícia afora. Na omissão triste de diversos segmentos do mundo das leis, a criarem para criminosos bárbaros direitos acintosos, alimentando com belíssimos papeluchos uma impunidade pavorosa.

Sim, os culpados maiores não eram toscos bandidos. Era uma gente refinada, educada e detentora de instrumentos poderosos. Membros distintos da sociedade. No mais das vezes gente de bem, porém não do bem. Gente honesta, mas que de enfrentar desonestos não quer saber.

Contemple nosso planeta. Ora é o crime organizado, ora a corrupção, ora a opressão, ora conflitos que somente a ganância corporativa explica, semeando mortes e desgraças mil – sempre sob o ensurdecedor silêncio da maioria discreta das pessoas de bem e das autoridades constituídas.

A esta maioria dediquemos a advertência de Dante Alighieri: os lugares mais quentes do inferno são destinados aos que, em tempos de graves crises, se mantêm neutros.

Por: Pedro Valls Feu Rosa

Cultura do que?

Pedro Valls Feu Rosa – Desembargador e Escritor

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