O Espírito Santo chora a morte de dona Flor, de 107 anos

 

Dona Flordelis Siqueira de Paula, a dona Flor, era descendente de pessoas escravizadas que trabalhavam em fazendas de café de Carangola (MG). Nasceu em Guaçuí quando ainda era distrito de Alegre, em 1913. Atravessou duas grandes guerras mundiais, a gripe espanhola, crise econômicas mundiais, mudanças profundas no mundo, e vinha superando a pandemia de Covid, que já matou milhões de pessoas no mundo inteiro e no Brasil já levou a vida de mais de 300 mil pessoas nos últimos 12 meses.

Dona Flor, como era conhecida, já havia até tomado a primeira dose da vacina contra a doença e aguardava em casa para tomar a segunda dose e esperar o tempo de ser totalmente imunizada e continuar inspirando e alegrando as pessoas à sua volta, na casinha simples onde sempre morou na rua Emiliana Emery, um filha ilustre da cidade, primeira mulher a adquirir o direito a voto no Espírito Santo.

Na noite de sábado, por volta das 20 horas, dona Flor, que fez 107 anos no dia 4 de agosto de 2020, fechou os olhos definitivamente. Ela havia chegado no dia anterior do hospital da cidade, onde ficou uma semana, depois de sofrer uma queda dentro de casa, fraturar uma perna e ser submetida  a uma cirurgia. Chegou a ficar na UTI por causa da idade, mas se recuperava bem, segundo a vizinha Renata Tomaz, 32 anos, uma espécie de guardiã dela.

O domingo em Guaçuí, a “Peróla do Caparaó”, amanheceu com a notícia da morte de sua moradora mais antiga. Ela era mais antiga do que a própria cidade, que se emancipou de Alegre em 1928, portanto há 97 anos, quando Flordelis já tinha 10 anos de idade. As últimas imagens dela mostram uma pessoa alegre, lúcida e de boa memória. Quando foi homenageada pela Lira Santa Cecilia, em seu último aniversário, cantou da janela as músicas que a banda executava.

Dona Flordelis era reverenciada e, por conta de sua morte, o prefeito Marcos Luiz Jauhar (Republicanos), decretou luto oficial de três dias. “O prefeito ficou sensibilizado quando soube da morte de dona Flor e quis homenageá-la, com muita justiça”, disse o amigo e afilhado de casamento do prefeito, Roberto Martins, capitão da reserva da Polícia Florestal e que já foi eleito personalidade do ano pelos leitores do jornal A Gazeta de Vitória por seu trabalho em favor do meio-ambiente.

Das duas filhas adotivas, Neusa mora em Guaçuí mas a outra, Regina, mora em Vitória e quando soube da morte da mãe, viajou para Guaçuí para participar das despedidas de dona Flor. A família ficou sensibilizada com tantas homenagens que ela recebeu, sendo uma pessoa simples da cidade.

Com informações da Coluna de Leonel Ximenes, de A Gazeta.

Veja abaixo a homenagem aos 107 anos de Dona Flor

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