O DIA EM QUE EXPULSEI MEU IRMÃO DA SALA DE AULA

Eu era professor do curso Técnico em contabilidade, na Escola Job Pimentel, em Mantenopolis-ES. No terceiro ano do curso estudava o meu irmão, com quem dividia o quarto na casa dos nossos pais. Chegou o dia da prova e eu distribui o formulário com as questões a serem respondidas. O meu irmão era bom aluno e sempre obtinha boas notas. Neste dia ele fez a prova com muita rapidez, entregou a folha resposta e foi embora.  A primeira questão da aludida prova foi mal formulada e eu fui advertido por um aluno. Reformulei a pergunta e avisei a todos da mudança de ultima hora.

O magistério não era a minha principal atividade e precisava arranjar tempo para corrigir as provas, razão pela qual sempre demorava a apresentar o resultado aos alunos e a secretaria da escola. Usei o horário de almoço e corrigi as provas dos alunos do terceiro ano. A prova de meu irmão continha um erro na resposta ao primeiro questionamento e sua nota foi oito. Normalmente ele tirava dez em contabilidade, pois ele já era profissional na área e continua sendo até os dias de hoje.

A folha resposta da prova com a nota foi entregue aos alunos. Alguns ficaram alegres e outros nem tanto, mas todos conformados com o resultado obtido, com apenas uma exceção: o meu irmão. Ele vem bufando em minha direção e pergunta:

– Por que você me deu só oito?

– Você errou a primeira questão.

– Errei nada. Foi você quem modificou a pergunta quando eu já tinha entregue a prova. O certo é você excluir esta questão da minha prova e considerar só as outras, que respondi corretamente.

-Nada disso. A sua nota é oito e pronto.

Na seqüência meu parente em segundo grau na linha colateral bradou que oito ele não aceitava, fez uma buchinha da folha de prova e jogou na minha cara. Expulsei imediatamente o aluno abusado e anotei zero como sendo a sua nota.

Quando cheguei em casa o meu pai me disse que eu estava errado. Se realmente você alterou a pergunta após a saída do aluno, a questão deveria ser considerada anulada para ele e avaliado apenas as demais, falou a voz da experiência. Realmente o Senhor esta certo, porém, após ele jogar a buchinha de papel na minha cara eu não poderia voltar atras, perderia completamente a autoridade diante da turma inteira.

Texto: Creumir Guerra
Creumir Guerra é Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo

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