Número de baleias jubarte encontradas mortas no Brasil bate recorde em 2021

Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, 154 baleias jubarte foram encontradas mortas em todo o litoral brasileiro. Trata-se do maior número de encalhes desses animais ao longo dos últimos 20 anos. A reportagem é de Mario Bonella, da TV Gazeta.

O problema, segundo especialistas, pode ser uma consequência do aquecimento global.

Os dados foram obtidos por meio do monitoramento feito pelos pesquisadores do Projeto Baleia Jubarte. Na comparação com os encalhes registrados ao longo de todo o ano passado, quando 70 baleias foram encontradas mortas, o número mais que dobrou somente nesses oito meses de 2021.

Todos os anos, as baleias jubarte saem dos polos Norte e Sul, onde se alimentam, e dão início a uma migração para se reproduzir na região de Abrolhos, na Bahia.

De acordo com os pesquisadores, como o número da população de baleias aumentou (em 2002 eram cerca de 2500 e agora estima-se que sejam 20 mil), é normal que o número de encalhes também aumente. No entanto, a quantidade de mortes registrada este ano causa preocupação.

Baleia encontrada morta em 2021

Baleia encontrada morta em 2021

Outro fato que surpreendeu os pesquisadores foi o local onde os animais apareceram mortos. Normalmente, as baleias jubarte são mais vistas no litoral do Espírito Santo e da Bahia. No entanto, este ano, a maioria delas encalhou em praias de Santa Catarina e de São Paulo. A mudança pode estar relacionada à busca por alimentos.

Os pesquisadores do Instituto Jubarte acreditam que em São Paulo e Santa Catarina os peixes formam mais cardumes, o que atrai as baleias. Este ano, elas procuraram os cardumes em águas mais rasas porque chegaram ao Brasil com mais fome.

A suspeita é que elas tenham encontrado menos alimento na Antártica, onde comem principalmente o krill, um crustáceo muito parecido com o camarão, cuja população está sendo afetada pelo aquecimento global.

“Esse derretimento do gelo diminuiu a área que o krill necessita para se alimentar e com isso você pode ter uma redução da quantidade de krill devido ao aquecimento global. Além disso, o derretimento do gelo e a elevação da temperatura da água, que pode ser de um grau ou meio grau, afeta esses animais”, explicou Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte.

Krill, um tipo de crustáceo, é um dos principais alimentos das baleias na Antártica

Krill, um tipo de crustáceo, é um dos principais alimentos das baleias na Antártica

As baleias mais jovens, que têm menos experiência para capturar os alimentos, podem estar sendo mais afetadas. Mais de 90% das jubartes que morreram no Brasil tinham menos de três anos.

Além disso, mais de 20 baleias morreram com equipamentos de pesca presos ao corpo.

Os pesquisadores pretendem fazer uma contagem maior ano que vem da população de jubartes no Brasil e comparar com os dados deste ano.

“Através de um sobrevoo desde o Rio Grande do Norte até o litoral de São Paulo, a gente conta o número de baleias que temos aqui no Brasil. Com esse sobrevoo, vamos saber se a mortalidade deste ano afetou o aumento da população de baleias ou não”, disse Milton.