“Novos hábitos vieram para ficar após a pandemia”

“A pandemia vai acabar, mas o mais provável é que continue a existir um pequeno número de casos de covid-19 mesmo com o surgimento de uma provável vacina. Vamos ter de conviver com o vírus, novos hábitos vieram para ficar”. Essa é a afirmação do médico infectologista e referência técnica do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde, Raphael Lubiana Zanotti.

Nos últimos meses, os brasileiros se acostumaram a uma rotina bem diferente da habitual, com o uso rotineiro de álcool em gel, distanciamento social e o uso de máscaras, por exemplo. Zanotti destaca que foram mudanças muito significativas e já deveriam ser “normais” em várias ocasiões.

“Por exemplo, quanto à questão escolar, o ideal sempre foi que crianças com sintomas gripais, como febre, ficassem em casa, mas não era o que acontecia na prática. Isso agora vai mudar”, afirma ele, que acrescenta: “Outro hábito que a população brasileira sempre teve foi a questão do toque, da proximidade excessiva e isso deverá ser repensado se quisermos evitar a proliferação de várias doenças transmissíveis, em especial neste momento pós-pandemia.”

Ele elenca alguns dos cuidados que deverão ser tomados pela população no “novo normal” e indica que algumas delas vieram para ficar. Confira abaixo:

Higiene das mãos

“Lavar as mãos com frequência será um hábito importante para evitar a transmissão da covid-19 e também de uma série de doenças infecciosas. Assim como o uso regular do álcool em gel. Isso veio para ficar.”

Etiqueta respiratória

“Ao espirrar ou tossir, cobrir o nariz ou a boca para que as partículas não se espalhem pelo ar é um hábito extremamente importante que deve ser regra agora.”

Cuidado com os calçados

“Retirar os sapatos antes de entrar em casa reduz a contaminação do ambiente domiciliar com sujeira e, potencialmente, agentes infecciosos. É algo simples, mas importante.

Higienização de objetos de compartilhamento

“A higienização adequada é fundamental para que patógenos que estejam nas superfícies não se proliferem ou contaminem outras pessoas.”

Uso de Máscaras

“O uso da máscara, apesar de parecer desconfortável, deverá ser adotado em diversas ocasiões por evitar que pequenas gotículas com vírus fiquem suspensas no ar.”

Distanciamento social

“A população brasileira tem um hábito de muita proximidade, toque, e este hábito talvez deveria ser restrito ao grupo de convívio privado. Várias doenças transmissíveis por contato podem ser evitadas desta maneira.”

Triagem escolar e no trabalho

“No caso das escolas, alunos que estejam com sintomas gripais devem ficar em casa, assim como em qualquer ambiente de trabalho. Devemos estimular que pessoas com sintomas de doenças infecciosas, como febre, evitem ambientes comuns.”

Primeiro atendimento deve ser na unidade de saúde

O infectologista Raphael Zanotti explica que pessoas com febre, perda do paladar ou olfato, além de sintomas gripais, como tosse, espirro, coriza e dor de garganta, devem estar atentas para a possibilidade de estarem com o novo coronavírus.

“Devemos pensar também em quadros de diarreia que, apesar de não ser específica para o novo coronavírus, está presente em várias doenças transmissíveis. A unidade de saúde deve ser o primeiro local de atendimento, para que seja feita a triagem.”

Em casos mais graves, como falta de ar, sonolência excessiva e redução de quantidade de urina, por exemplo, ele recomenda a ida às unidades de pronto atendimento.

“É importante frisar que pessoas com sintomas leves, brandos, podem se cuidar em casa e se distanciar socialmente para evitar a transmissão a outras pessoas”, finaliza Zanotti.

Teste indicado também a familiares de diagnosticados com Covid-19

Dentro da rede pública, o teste para a Covid-19 é orientado a qualquer indivíduo com sintomas gripais e também em quadros gastrointestinais. O Espírito Santo é um dos poucos estados que oferece testes também para familiares de pacientes testados positivos. O objetivo é identificar pessoas assintomáticas com a doença para reduzir a circulação do vírus.

“Devem realizar pessoas que moram juntas e têm convívio próximo. Esta é uma estratégia pioneira no país adotada pelo governo do Estado”, explica o médico infectologista.

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