No Espírito Santo, Ministro da Justiça defende armamento e fala em reforma do ‘Em Frente Brasil’

 

Em um evento no Palácio Anchieta, sede do governo do Estado do Espírito Santo, na tarde desta sexta-feira (19), o Ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, defendeu a facilitação do armamento da população civil e informou que o programa “Em Frente Brasil”, em funcionamento em Cariacica, na Grande Vitória, será reformulado. A reportagem é de Any Cometti e Gabriela, do G1 ES e TV Gazeta.

A flexibilização do acesso às armas pela população civil é uma das bandeiras defendidas pelo governo de Jair Bolsonaro. Na última sexta-feira (12), quatro decretos alterando o Estatuto do Desarmamento foram assinados pelo presidente. No entanto, aliados do governo no Congresso Nacional resistem às mudanças que facilitam o acesso às armas no Brasil.

A fala do ministro foi feita logo após o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), elencar pontos que dificultam o trabalho de combate à criminalidade. Entre eles, Casagrande citou o aumento do número de armas circulando no estado. “2020 não foi um ano fácil para combater a criminalidade. Na estrutura do crime, tem cada vez mais pessoas jovens”, declarou.

Na sequência, Mendonça disseque respeita a opinião de Casagrande, mas que o armamento da população civil sempre foi uma bandeira de Jair Bolsonaro, e evocou a constituição dos Estados Unidos para justificar a facilitação do acesso às armas.

“Da nossa parte, tenho a dizer, primeiro, que a proposta politica do presidente sempre trouxe essa bandeira como algo que defende como concepção de Estado, a necessidade do cidadão de ter acesso ao armamento. Apenas como registro histórico, na constituição dos Estados Unidos, este é um dos direitos fundamentais do cidadão, o de ter o próprio armamento e defesa pessoal no âmbito daquele pais”, expôs o ministro.

No entanto, apesar da discordância sobre o armamento, o ministro garantiu que há pontos de convergência entre as estratégias de segurança dos governos federal e estadual.

“A nossa compreensão é de que há um grande universo de convergente entre nós. A necessidade de prevenção, de combate ao crime, e dentro dessa convergência, a soma dos indicadores é fruto do crime organizado. Se tivermos atuação conjunta, teremos uma redução da criminalidade violenta no país”, garantiu.

Ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, chega ao ES — Foto: Aurélio de Freitas/TV Gazeta

Ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, chega ao ES — Foto: Aurélio de Freitas/TV Gazeta

O ministro reconheceu que os índices de homicídio em Cariacica, na Grande Vitória, continuaram crescendo, mesmo com a presença da Força Nacional, que atua desde agosto de 2019 na cidade.

“Nós temos visto o esforço do estado para reduzir esses indicadores. O estado tem obtido bons resultados, mas certamente ainda não é o que queremos dar ao Espírito Santo. Esse esforço do estado se soma ao governo federal para que os indicadores, em especial os de combate à criminalidade violenta, sejam referência nacional”, apontou o ministro.

O ministro também disse que o projeto “Em Frente Brasil”, do qual participa a Força Nacional, será reformulado, com novas ações e investimentos previstos para o Espírito Santo. Porém, Mendonça não deu detalhes do projeto.

“Sabendo que haverá um momento em que avançaremos bastante, mas haverá momentos também de reação. Não podemos perder o rumo e o foco de que precisamos mudar a realidade da segurança pública do nosso país”, declarou.

Durante a agenda no Espírito Santo, na manhã desta sexta-feira, André Mendonça falou sobre a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL).

Perguntado se o governo se posicionaria sobre o caso, André disse que “esse papel cabe ao Congresso Nacional à luz da Constituição, o que acontece no âmbito dos procedimentos a Polícia Federal tem independência técnica de fazer análise e isso vai ser feito”.

A Câmara dos Deputados deve avaliar nesta sexta se mantém a prisão de parlamentar bolsonarista preso após fazer vídeo em que elogia AI-5, ato mais violento da ditadura, e pede destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que é inconstitucional.

Três dias após a prisão do deputado, esta é a primeira manifestação de um integrante do primeiro escalão do governo. O presidente Jair Bolsonaro ainda não comentou o assunto.

 

Leia mais

Leia também