Neste Natal, profissionais de saúde do Espírito Santo seguem na linha de frente contra a Covid-19

Após quase um ano desde o início da pandemia, eles seguem firmes em seus postos de trabalho e neste Natal têm a missão de levar conforto aos pacientes que também não podem estar com suas famílias.

Por Poliana Alvarenga, G1 ES

Enquanto tantos papais Noeis circulam pelas ruas no dia de Natal, o que a médica Carolina Borlot veste neste 25 de dezembro não é uma fantasia, mas sim todo o aparato de proteção contra a Covid-19.

Assim como muitos outros profissionais da saúde, a cardiologista e intensivista que atuam na linha de frente de combate à Covid-19, Carolina passa o dia de Natal dentro do hospital, sem desistir da luta contra o vírus, que já tirou a vida de mais de 4,8 mil pessoas somente no Espírito Santo.

“Estamos aqui desde o final de março até agora firmes e fortes, lutando contra essa doença. É um cansaço físico e emocional. Há uma preocupação na hora de se paramentar e de se desparamentar para não pegar o vírus. Isso mexe com o psicológico da gente”, conta Carolina.

Trabalhar no feriado não é novidade nenhuma para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde, que já estão acostumados aos longos plantões. Mas no Natal deste ano, diante da pandemia, o trabalho foi ainda mais priorizado.

Carolina Borlot se prepara para enfrentar o plantão no Natal

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Distantes de suas próprias famílias, a estes profissionais cabe também a tarefa de acolher os pacientes que, internados em UTIs ou enfermarias, também estão impossibilitados de ver seus entes queridos. Para alguns, foram os próprios profissionais da saúde que avisaram que o Natal chegou.

“Os pacientes que não estão em ventilação mecânica sabem que é Natal porque nossa equipe chega com muita alegria. Como eles não ficam vendo a família, tentamos fazer um atendimento humanizado”, lembra Carolina.

Aos 63 anos, o médico Pedro Carlos de Souza Neto faz parte do grupo de risco da Covid-19. Mesmo assim, optou por continuar trabalhando desde o início da pandemia no Pronto Atendimento de um hospital particular de Vitória. Nesta sexta-feira, ele está com seus pacientes.

“Eu já havia trabalhado em outros natais, mas não em uma situação com essa, em uma pandemia”, comenta o gastroenterologista.

Estar com a família nesta data também seria maravilhoso, mas, se pudesse ter um pedido atendido pelo Papai Noel, Pedro não tem dúvidas de qual presente escolheria.

“Eu ia pedir a vacina o mais rápido possível. O início da vacinação vai ser também o início do fim da pandemia. Não vai ser imediato, obviamente. Teremos um 2021 muito difícil ainda, mas pelo menos será uma luz no fim do túnel”, acredita ele.

O mesmo pediria Carolina. “Eu acho que esse pedido não é só meu, é do mundo inteiro, de que essa epidemia fosse controlada e que tivéssemos o êxito da vacinação de todos”.

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