Natal foi o dia com o maior número de mortes por Covid-19 na segunda onda da doença no Espírito Santo

Em coletiva de imprensa pelas redes sociais, secretário de Saúde, Nésio Fernandes, disse que o esquema de vacinação no estado é capaz de imunizar um milhão de pessoas em um mês.

Por Any Cometti, G1 ES

Secretário da Saúde do ES, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda — Foto: Reprodução/YouTube

Secretário da Saúde do ES, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda — Foto: Reprodução/YouTube

O dia 25 de dezembro de 2020 foi o dia com o maior número de mortes durante a segunda onda da Covid-19 no Espírito Santo. O dado é do secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, de acordo com os números divulgados até este domingo (10).

O secretário falou sobre o assunto em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (11).

“Infelizmente, no dia do Natal, nós tivemos até o presente momento, sem a inclusão dos dados no dia de hoje, o maior número de óbitos ocorridos em um dia durante a segunda expansão da doença. Foram 37 óbitos ocorridos no dia do Natal, 37 famílias perderam pessoas queridas pela Covid-19, e isso exige uma reflexão”, apontou Nésio.

Além disso, o secretário voltou a dizer que o reflexo das contaminações que aconteceram nas aglomerações das festas de fim de ano deve repercutir a partir da segunda quinzena deste mês.

“Nós temos expectativa de que, na segunda quinzena de janeiro, tenhamos um aumento da variação de casos e óbitos no Estado. Temos a perspectiva de ampliação de 60 leitos de UTI no Estado. Podemos estabelecer até fevereiro a segunda expansão, para atingir 900 leitos de UTI disponíveis para o Estado”, frisou.

De acordo com o secretário, atualmente 15 pacientes infectados pelo coronavírus aguardam um leito de UTI em todo o Espírito Santo. Para Nésio, o Estado tem condições de garantir que todos esses pacientes sejam atendidos.

“Temos somente 15 pacientes em todo o Estado aguardando leitos de UTI Covid. Temos total capacidade de absorver e garantir que todo paciente atingido pela Covid-19 tenha acesso a cuidado hospitalar. No dia de hoje, temos um grande numero de óbitos anunciados em decorrência do fim de semana, mas também por conta do comportamento, uma média móvel de mortes alta que indica uma quantidade muito grande de vidas perdidas no nosso Estado”, ponderou.

A respeito da vacinação, Nésio explicou que o Estado tem, atualmente, 497 salas de vacinação fixas, número que é expandido para mais de 500 durante as campanhas de vacinação. Com esse número, de acordo com o secretário, seria possível vacinar cerca de um milhão de pessoas em apenas um mês.

“O Estado possui 497 salas de vacinação fixas. Nas campanhas, esse número aumenta, ultrapassamos as 500 salas de vacinação. Estimando que vacinaremos 100 pessoas em cada sala, vacinaremos um milhão de pessoas em um mês de trabalho, sem alterar horários e dias”, calculou.

No entanto, faltam as vacinas. Nésio estima que, em todo o país, cerca de 13 milhões de doses serão disponibilizadas, para serem divididas entre as 27 unidades da federação. “Estamos na expectativa de que o numero inicial de doses iniciais a serem implementadas possam chegar a 13 milhões de doses em todo o país”, contabilizou. E disse que esse cálculo soma as vacinas disponibilizadas pelo governo, somadas às doses do Instituto Butantan.

“O governo federal, na semana passada, se reuniu com as áreas técnicas dos Estados e da União para anunciar que dois milhões de doses podem estar disponíveis para todo o pais. O alvo dessa vacinação seriam indígenas, profissionais da saúde e idosos em instituições de longa permanência. Seriam 35 mil pessoas vacinadas ainda neste mês. As 11 milhões de doses do Butantan somam 13 milhões de doses e possibilitam o início da vacinação ainda no fim de janeiro”, explicou.

Também presente durante a coletiva de imprensa, o subsecretário de vigilância epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, apontou que ainda não foi identificada uma nova cepa do coronavírus no Espírito Santo, como aconteceu em São Paulo.

“No Espírito Santo, não identificamos uma nova cepa. Temos uma rede que coleta material de doença respiratória, no mesmo formato, há muitos anos. Essa coleta, que é feita no Brasil inteiro, serve para a construção da vacina da gripe, que tomamos todos os anos. Agora, ajuda a construir e identificar qual o vírus predominante que circula em determinada população”, explicou Reblin.

No entanto, apesar de uma nova variante do vírus ainda não ter sido encontrada em exames oficiais no Estado, o secretário de saúde não descartou a possibilidade de que novas cepas possam estar circulando pelo Estado.

“Eu particularmente acredito, sim, que novas variações do vírus já estejam em solo capixaba e que sejam responsáveis pela segunda onda da doença nos territórios que tiveram uma primeira onda muito caracterizada e definida. Isso deve se confirmar ao longo de 2021”, afirmou Nésio.

Leia mais

Leia também