‘Não pude olhar na cara dele e ver ele sendo sentenciado’, lamenta mãe de Thayná

Quase três anos se passaram desde que Thayná Andressa de Jesus Prado, de 12 anos, foi sequestrada, violentada e morta. Para a mãe da menina, Clemilda de Jesus, a esperança de que a justiça fosse feita terminou na noite do último sábado (20), quando o acusado do crime, Ademir Lucio Ferreira de Araújo, foi assassinado dentro do presídio em Vila Velha, na Grande Vitória, sem ser julgado.

“É uma sensação de alívio, com revolta, com tristeza. Mas eu não esperava que fosse assim. Eu esperava que ele tivesse sido sentenciado. Eu sinto impune. Ele ficou preso, mas não foi sentenciado no caso da minha filha, não teve condenação. Eu acho que a Justiça falhou mais uma vez”, lamentou Clemilda.

Thayná completaria 15 anos no dia 30 de julho. No ano passado, a menina ganhou uma homenagem no muro de uma escola do bairro para onde sua mãe se mudou após o crime.

Seu rosto foi pintado ao lado da imagem de Araceli Cabreira, que foi estuprada e assassinada com crueldade quando tinha oito anos, em 1973, em Vitória. Os suspeitos pelo crime foram absolvidos por falta de provas.

“Ele morreu e eu não pude olhar na cara dele e ver ele sendo sentenciado pelo que ele fez com a minha filha”, disse a mãe.

Ademir Lucio Ferreira de Araújo estava preso desde novembro de 2017. Na Penitenciária Estadual de Vila Velha 5, em Xuri, ele cumpria pena de 34 anos pelo estupro de uma menina de 11 anos, crime que praticou três dias antes do sequestro de Thayná.

Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), além dos crimes de estupro de vulnerável e de homicídio qualificado, Ademir também respondia a processos por roubo e estelionato.

Já em relação ao assassinato de Thayná, a Justiça definiu em 2018 que o acusadi seria julgado por um júri popular. Até hoje, a família aguardava pelo julgamento.

O rosto de Thayná também está estampado em uma tatuagem no braço da mãe. Mesmo desempregada, Clemilda prefere continuar morando de aluguel por não conseguir retornar à sua casa no bairro Universal, em Viana, onde as lembranças do crime a fazer reviver a dor da perda da filha a todo momento.

De acordo com a Polícia Civil, um interno de 28 anos foi conduzido ao plantão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e assumiu a autoria da morte de Ademir.

Ele foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.

A motivação do crime ainda está sendo investigada e a Sejus abrirá uma sindicância para apurar o caso.

Informações: G1/ES

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