‘Não precisa ter medo, não dói’, diz primeira vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo

Baiana, mãe de quatro filhos, Iolanda Brito, de 55 anos, é técnica de enfermagem no Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra.

Técnica de enfermagem, Iolanda Brito, foi a primeira vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo

Técnica de enfermagem, Iolanda Brito, foi a primeira vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo

“Eu dormi bem, não virei jacaré. Não estou sentindo nenhuma reação, fiquei bem. Uma colega minha disse que estava com medo. Não precisa ter medo. Não dói. Foi bem rapidinho”, contou a técnica de enfermagem Iolanda Brito, de 55 anos, depois da primeira noite após ser vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo.

Ela contou que estava se preparando para o plantão no domingo (17) quando recebeu uma ligação da gerente de equipe do Hospital Jayme dos Santos Neves, onde trabalha, perguntando se ela tinha alguma comorbidade para informar ao Conselho de Enfermagem.

“Eu disse que não e achei a ligação estranha, porque ela nunca tinha me ligado. Quando cheguei para trabalhar, uma moça veio fazer uma entrevista comigo porque eu seria a primeira vacinada no Espírito Santo”, contou.

Técnica de enfermagem foi a primeira vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo — Foto: Any Cometti/G1

Técnica de enfermagem foi a primeira vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo — Foto: Any Cometti/G1

Além do Jayme, Iolanda também trabalha no Hospital Dório Silva. Antes de se formar no curso de técnico de enfermagem, ela era auxiliar de serviços gerais. Baiana, Iolanda se mudou com os filhos para o Espírito Santo há 30 anos e foi com a profissão que ela criou os quatro filhos. Como forma de retribuir o cuidado, o curso técnico foi pago pela filha.

Há um ano, a rotina de toda sociedade foi alterada com o aumento dos casos do novo coronavírus. Dentro dos hospitais, além de todas as medidas de segurança para evitar a propagação, os funcionários lidaram com a fragilidade da vida.

“É muito corrido, muito desafiador e muito triste. Tem pessoas se recuperando e gente perdendo a vida. Nessa semana mesmo, nós presenciamos bastantes óbitos. Durante a pandemia, nunca fiquei doente, mas perdi colegas meus para a doença. Eu fiquei surpresa quando soube que seria vacinada porque não achei que ela chegaria tão cedo no estado”, disse a técnica de enfermagem.

A aplicação da vacina na técnica de enfermagem aconteceu por volta das 20h25 desta segunda-feira (18) durante uma cerimônia simbólica no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves.

“Depois de contribuir com dias de luta, agora vou ser uma das primeiras a tomar a vacina e viver dias de glória. É um alívio, é emocionante saber que vai ser o fim da Covid-19. A vacina é vida, vai diminuir o índice de morte. Todos temos que tomar”, disse a técnica de enfermagem logo após a aplicação.

Em seguida, outros cinco profissionais de saúde da unidade receberam a dose do imunizante. São eles: Thais Fonseca Silva, 37, fisioterapeuta; Romerson Ribeiro Silva, 32, médico; Eliane Palles Luz, 51, enfermeira; Sabrina Bital Martins, 39, auxiliar de serviços gerais; e Elizelia Bicalho, 68, técnica de enfermagem e vacinadora.

Vacinados no Espírito Santo — Foto: Any Cometti/G1

Vacinados no Espírito Santo — Foto: Any Cometti/G1

A dose é da vacina da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac aprovada pela Anvisa neste domingo (17).

Neste primeiro lote, o Ministério da Saúde reservou 101.320 doses ao Espírito Santo. Todas chegaram a Vitória em um voo fretado na tarde desta segunda e começaram a ser distribuídas aos municípios na manhã desta terça (19).

Nesta primeira fase, cerca de 48 mil pessoas pertencentes ao grupo prioritário serão vacinadas no estado: 42.273 profissionais da área da saúde, 2.793 indígenas, 2.970 idosos de casas de repouso e 210 pessoas com deficiência institucionalizadas.

“Dadas as poucas quantidades que chegaram, estamos privilegiando os [profissionais de saúde] que trabalham nas UTIs, emergências e nas unidades exclusivas para atender pacientes respiratórios. Nesse momento, não está aberta a vacinação na sala de vacina, será vacinação restrita”, explicou o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes.

A coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Danielle Grillo, destacou que, na segunda etapa da primeira fase da vacinação, serão acrescidos o público idoso acima dos 75 anos não institucionalizados (155.760 capixabas).

O público-alvo dessa primeira etapa da imunização é formado por:

  • trabalhadores da saúde da linha de frente no combate à doença;
  • pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência;
  • pessoas a partir de 18 anos com deficiência residentes em residências inclusivas;
  • e população indígena vivendo em terras indígenas.

O governador do estado, Renato Casagrande (PSB), comemorou o feito e destacou que os capixabas vivem um marco histórico com a chegada da vacina e o início da imunização.

“Hoje é um dia histórico, onde as evidências científicas estão aflorando, sendo exaltadas pelo trabalho de institutos importantes, Butantan, Fiocruz. […] O que estamos vivendo ficará para registro histórico para o resto da vida, as imagens, as pessoas perdendo a vida por falta de oxigênio como Manaus, aqui não tivemos isso, poucas pessoas perderam a vida com falta de atendimento. Em outros estados vemos esses casos e isso deixa a gente muito entristecido pelo momento que estamos vivendo”.

Casagrande ainda agradeceu aos profissionais da saúde e pediu que os cuidados continuem sendo mantidos, pois a vacinação não representa o fim do risco.

“Muito obrigada aos profissionais da saúde. Teremos um ano inteiro pela frente de muita luta. Esse início ano de vacinação não pode ser de forma alguma ser confundido com início do relaxamento. Estamos na segunda onda da doença, é preciso continuar mantendo todos os cuidados necessários pois precisaremos do ano todo de 2021 para imunizar boa parte das pessoas”, disse.

O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, também comemorou a chegada da vacina ao Espírito Santo.

“Nós, médicos, a gente consegue cuidar de todos, mas nem todos aqueles que cuidamos somos capazes de salvar. Somos formados para apostar nas descobertas científicas, o que traz benefícios aos pacientes. Hoje chegou a vacina Sinovac Butantan. Depois de muito tempo, avançamos enquanto pais. 100% das pessoas que tomarem a vacina não terão casos graves e não evoluirão. É muito simbólico”, comemorou.

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