‘Não houve nenhuma agressão’, diz esposa de comandante-geral da PM no Espírito Santo

Em dois chamados feitos ao Ciodes, há a informação de que a mulher relatou ter sido agredida por Douglas Caus. Entretanto, ela disse que tudo não passou de um mal-entendido.

 

Por Naiara Arpini, G1 ES

A esposa do comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, negou que tenha sido vítima de agressão por parte do marido. Ao G1, Renata Christhina Caus disse que tudo não passou de um mal-entendido usado de forma arquitetada por pessoas que querem ver o coronel fora do comando da PM.

Nesta quinta-feira (3), vieram à tona dois chamados feitos ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) onde há, na descrição da ocorrência, a informação de que ela acusou o marido de agressão. Um boletim de atendimento é do dia 24 de dezembro de 2019 e o outro da noite desta quarta-feira (2).

Renata disse que esteve na Delegacia da Mulher de Vila Velha nesta tarde para prestar esclarecimentos sobre o caso. A professora da rede municipal de Vila Velha explicou que, nas duas situações, o que ocorreu foi uma discussão entre o casal sem nenhum tipo de violência física.

Sobre o caso de dezembro, ela disse acionou a Polícia Militar porque brigou com Douglas após ele ter que sair de casa na véspera do Natal para resolver um problema no Hospital da Polícia Militar (HPM), onde ele atuava na época.

“A gente discutiu porque ele ia me deixar sozinha para ir lá resolver a situação. E ele foi para lá porque é profissional. Por isso, eu fiz a ligação [para o Ciodes], mas depois falei com o delegado que não houve agressão. Eu conversei, expliquei, falei que eu queria atenção naquele dia”, contou Renata.

Segundo ela, uma discussão pelo mesmo motivo foi o que fez com o que o filho do casal, de 20 anos, acionasse a polícia novamente nesta quarta-feira.

“Ontem eu precisava conversar porque estava ansiosa. Estou há 150 dias dentro de casa por causa da pandemia e queria passar para ele algumas informações sobre um dos nossos filhos. Ele tinha chegado do trabalho e queria sair, para ir ao supermercado, à padaria, mas eu alterei o tom de voz, tranquei a porta e disse que ele não sairia. O meu filho de 20 anos ouviu meus gritos, achou que a gente estivesse brigando e chamou a polícia, sem eu saber. No fim, eu dei a chave de casa ao Douglas, ele saiu e, quando a polícia bateu na minha porta, eu até estranhei”, lembrou.

Renata reforçou a postura do marido, que segundo ela, nunca teve atitudes agressivas. “Vivemos há quase 30 anos juntos. Douglas dentro de casa é uma pessoa extremamente serena e pacata. Ele nunca seria capaz de fazer isso com mulher nenhuma”, disse.

Dados expostos

Renata disse que pediu uma investigação sobre o vazamento dos boletins de atendimento, onde havia informações sobre endereço e telefone dos envolvidos.

Para ela, a divulgação dos dados mostra que o caso foi usado por alguém que queria prejudicar a imagem e a carreira do coronel.

“O que aconteceu no Ciodes foi mau-caratismo, porque vazaram uma notícia sigilosa. Essa pessoa com certeza é da banda podre da polícia, que a gente sabe que existe. O que quiseram fazer hoje foi denegrir a imagem dele para tirar ele do comando. Tudo foi uma questão articulada e armada”.

Ainda de acordo com a professora, a família já pensa em trocar de endereço, por causa da exposição. Ela também disse que solicitou à polícia proteção ao marido.

“Eu me senti totalmente violada, meus dados foram expostos. Eu vou ter que me mudar do apartamento onde moro há oito anos porque meu endereço foi exposto. Olha o transtorno que isso causou para minha família”, lamentou.

Coronel Douglas Caus é o novo comandante-geral da PMES — Foto: Helio Filho/Secom

 

Sesp e PM

Em nota enviada nesta tarde, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) afirmou que o Governo do Estado não compactua com nenhum tipo de violência e que o caso em questão é um episódio familiar que está sendo devidamente acompanhado pelas autoridades competentes. Douglas Caus continua no cargo.

O G1 procurou as assessorias da Polícia Militar e da Sesp para saber se será aberta alguma investigação sobre o caso e sobre o pedido de Renata em relação à divulgação das informações, mas as demandas ainda não foram respondidas.

 

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