Na linha de frente do combate ao coronavírus, enfermeira do Espírito Santo vê filho uma vez por mês

Desde que a pandemia teve início, Aline só conseguiu ver o filho Benjamin duas vezes.

Reportagem: TV Gazeta

Quando escolheu ser enfermeira, Aline Rubim Freitas sabia que o dever de cuidar de pacientes no momento em que eles mais precisam não seria fácil. Mas a pandemia do novo coronavírus, para ela, tem sido não só um desafio profissional, mas também pessoal. Atuando na linha de frente contra a doença, ela tem visto o filho Benjamin, de um ano, apenas uma vez por mês.

Aline trabalha no Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, que é referência no tratamento de pacientes graves da Covid-19 no Espírito Santo. Desde que a pandemia teve início, ela só pôde se encontrar com o filho duas vezes.

A enfermeira mora em Jacaraípe, também na Serra. Mas Benjamin está sendo cuidado pela avó e pelas tias, que moram em Santo Antônio, em Vitória.

Aline explica que a mãe, de 60 anos, e a avó, que tem 92, vivem na mesma casa. Como ambas fazem parte do grupo de risco para a Covid-19, o afastamento foi necessário.

“Pela segurança delas e pela segurança do meu filho eu abdiquei de ficar com eles”, pontua.

A distância impediu que ela presenciasse momentos importantes como, por exemplo, os primeiros passos da criança.

“Eu chorei por 40 minutos no trabalho. Quem é mãe sabe que a gente projeta tudo quando um filho nasce: acompanhar quando ele vai andar, quando ele vai começar a falar. Ele já começou a balbuciar algumas palavras, mas eu só vi por vídeo”, conta.

Para ver o filho, Aline precisa fazer o teste do coronavírus primeiro. No entanto, o valor é alto, e, por isso, as visitas acabam ficando restritas.

“O exame ainda é muito caro, custa quase R$ 300. Não há como fazer em um tempo menor”, lamenta a mãe.

Aline tem aproveitado os raros momentos com filho Benjamin para matar a saudade

Diante da separação, a mãe e enfermeira não tem dúvidas ao definir seu maior desafio em 2020.

“É doloroso. Ficar longe dele, sem sombra de dúvidas, tem sido o mais difícil nessa quarentena. Trabalhar, estar na linha de frente, nada disso me assusta”, diz.

A artesã Denilza Peixoto, mãe de Aline, acompanha a luta da filha. Ela conta que, ao chegar do plantão, Aline liga todas as manhãs para ter notícias de Benjamin. Um amor que supera o cansaço evidente em seu rosto.

“Você nota visivelmente o cansaço e o sofrimento dela no olhar. Eu vejo as marcas da máscara no rosto dela. A dedicação que ela tem é apaixonante”.

Mas as incertezas trazidas pela doença também preocupam a enfermeira. “E se eu me contaminar? E se eu cair em um leito de hospital sem poder ver ninguém? E se eu morrer e deixar meu filho?”, questiona ela.

Diante do próprio sacrifício que tem feito, Aline apela para que a sociedade mantenha o isolamento social e evite o avanço da doença.

“Eu me privo de estar com quem eu amo para estar no hospital cuidando de todo mundo. Acho que o mínimo que as pessoas poderiam fazer é ficar em casa”, pede ela.

 

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