Municípios do Espírito Santo podem tomar medidas mais duras de combate à Covid-19, diz secretário

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (25), Nésio Fernandes afirmou que o estado iniciará o mês de janeiro com alto índice de transmissão da Covid-19 e que mais cidades poderão ser classificadas com risco alto para a doença nas próximas semanas.

Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin — Foto: Reprodução/Secretaria de Saúde do Espírito Santo
Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin — Foto: Reprodução/Secretaria de Saúde do Espírito Santo

Por Maíra Mendonça, G1 ES

Os prefeitos eleitos ou reeleitos em municípios do Espírito Santo, que assumirão seus mandatos a partir de janeiro de 2021, devem estar preparados para adotar medidas auxiliares de enfrentamento à pandemia da Covid-19.

O alerta foi feito pelo secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, que não descarta a possibilidade de que mais cidades passem a ser classificadas como alto risco para a transmissão da doença a partir da próxima semana. Nesta semana, há oito municípios nesse grupo.

“Entraremos em 2021 com muitos casos ativos e óbitos. Por isso, é preciso que os prefeitos tenham planejado medidas a serem tomadas caso a situação pandêmica das cidades piore muito”, disse Nésio em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (28).

A indicação foi reforçada pelo subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.

“A prefeitura municipal pode adotar medidas complementares mais restritivas àquelas que estão no nosso mapa geral do governo do estado”, pontuou ele.

De acordo com o Nésio Fernandes, o mês de janeiro, ainda sem a chegada da vacina, continuará sendo um período de grande transmissão da doença. Um alerta que, inclusive, já vinha sendo feito por matemáticos. Segundo um pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o número de mortes por Covid-19 poderá chegar a 800 somente no primeiro mês do ano.

O secretário afirma que a realização dos testes RT-PCR em pacientes sintomáticos foi prejudicada no mês de dezembro nos municípios em razão do período de transição de governos, além de outros problemas com atrasos. Além disso, pessoas assintomáticas não foram testadas. Por isso, ele pontuou que os índices continuam a crescer e recomendou cautela quanto à análise dos números.

“Toda e qualquer avaliação que aponte que já passamos do novo momento de pico e que passaremos a viver uma fase de recuperação imediata não é adequada”, ressaltou.

Nésio voltou a garantir uma robusta expansão do número de leitos de UTI para a Covid-19 no Espírito Santo em janeiro. Segundo ele, já entre esta segunda e terça-feira (29), mais 37 vagas serão disponibilizadas.

Nesta segunda, o Painel Covid – plataforma criada pelo governo estadual para divulgar dados sobre a pandemia – mostra que o Estado tem hoje 642 leitos de UTI para Covid. Destes, 82% estão ocupados. De acordo com o governo, há a possibilidade de expandir o total para 715.

O secretário falou também sobre a situação da vacinação contra a Covid-19 e voltou a criticar a morosidade do governo estadual para tratar a questão, especialmente quando comparado aos governos de outros países.

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