Mulheres que comandam unidades prisionais capixabas

Gestão humanizada e compromisso com as leis são palavras de ordem no dia a dia de mulheres que atuam com garra para gerir unidades prisionais no Espírito Santo. Elas são servidoras públicas que, antes de exercerem cargo de gestão, passaram por diversos setores da Secretaria da Justiça (Sejus), o que permitiu agregar conhecimentos e habilidades necessárias para alcançar cargos de comando nos presídios. Atualmente, as mulheres representam 20% do efetivo de inspetores penitenciários do Estado.

A diretora do Centro Prisional Feminino de Colatina (CPFCOL) desde 2016, Maria Aparecida de Freitas de Albuquerque, garante que os desafios do sistema prisional são superados graças a bagagem adquirida ao longo dos anos em unidades masculinas e femininas. Servidora efetiva do concurso de 2006, Maria Aparecida de Freitas de Albuquerque já atuou no antigo presídio feminino de Tucum, na Penitenciária Regional de Linhares (PRL), unidade masculina para presos condenados, como inspetora penitenciária e chefe de equipe, além do Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL).

“Os desafios são muitos numa liderança, especialmente no presidio feminino, procuramos administrar com sabedoria, com um sentimento que vai além do racional, porque a mulher na liderança é um misto de emoções: é intuição, é o dinamismo feminino, o envolvimento com as pessoas e o trabalho. Precisamos ter o equilíbrio diante disso tudo para produzir de forma equilibrada entre o racional e o emocional. E o resultado é muito satisfatório. Atuamos com uma equipe muito proativa, que passa por dificuldades de uma forma muito vitoriosa, pois temos como base o respeito nas nossas relações”, diz a diretora.

Já a diretora do Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim (CPFCI), Leida Maria Ayres, destaca a gestão humanizada como um dos fatores essenciais na transformação de pessoas. Inspetora penitenciária desde 2008, Leida Maria Ayres já atuou na Diretoria de Segurança Penitenciária (DSP), tornando-se diretora do CPFCI em 2009.

“Nossa rotina é de muitos desafios. Mas ver que somos exemplo para muitas internas que passaram e ainda estão no CPFCI é uma vitória muito grande. Acredito que ser esse espelho na vida delas é reflexo de uma gestão humana, que prioriza a ressocialização. Muitas se espelham em nós para não voltar ao crime. Isso é muito gratificante. Sempre destacamos durante a rotina, cursos e palestras direcionados às internas na unidade que é possível mudar de vida por meio do trabalho e da educação”, afirma Leida.

Foco em primeira infância no sistema prisional

A diretora do Centro Prisional Feminino de Cariacica, Graciele Sonegheti Fraga, está no CPFC desde o ingresso na Sejus, em 2010. Atuou como inspetora penitenciária, chefe de segurança e diretora adjunta, até assumir a direção em 2017. A experiência essencialmente voltada à custódia de mulheres fez acender uma preocupação com gestantes e lactantes que cumprem pena na unidade. O assunto virou pesquisa de Mestrado, com práticas que têm despertado o interesse de presídios femininos do Brasil.

O alojamento Materno-Infantil do CPFC foi reinaugurado em setembro do ano passado. Mais humanizado, o espaço recebeu nova pintura, cenários com temas infantis, móveis e acessórios que renovaram o ambiente. “Os estudos sobre a primeira infância no sistema prisional têm despertado interesse de outros presídios do Brasil, como Maranhão e Mato Grosso do Sul, que já nos procuraram para conhecer melhor o trabalho que desenvolvemos aqui. Nosso projeto foi concebido com a ideia de ‘maternar’ essas mães e estimular o desenvolvimento infantil.  Temos nos esforçado para fazer o melhor com relação a proteção à primeira infância dentro da unidade”, explica Graciele Sonegheti Fraga.

Para ela, buscar alternativas tendo a inovação como condução dos trabalhos é o que fornece a motivação necessária para gerir com eficiência. “Nosso desafio é inovar para melhorar o fluxo de trabalho, pensar em estratégias e novas possibilidades diante dos desafios do sistema prisional. O otimismo nas ações é outro fator importante. Trabalho com pessoas engajadas, dedicadas, que se esforçam diariamente em busca de bons resultados. Grande parte do quadro de profissionais é composto por mulheres de garra. Sempre digo que é fácil liderar uma boa equipe, tenho profissionais incríveis e eficientes que se esforçam muito todos os dias”, enfatiza a diretora.

Servidoras na liderança de unidades masculinas

A liderança feminina também está presente nas unidades prisionais masculinas do Estado. Mara Lúcia de Paula é diretora da Penitenciária de Segurança Média II (PSME II) desde 2017. Durante 26 anos dedicados ao sistema prisional, ela foi também a primeira mulher a comandar um presídio de segurança máxima no Espírito Santo.

“Tenho orgulho de fazer parte de uma equipe tão comprometida e ética. Pude ter o privilégio de participar das mudanças e evoluções no sistema prisional capixaba. Posso dizer que não há diferença entre homens e mulheres nas atividades que desenvolvemos. O mais importante é atuar com ética, profissionalismo e respeito para garantir o controle da unidade”,

pontua Mara Lucia de Paula, que iniciou suas atividades como estagiária do Instituto de Readaptação Social (IRS) em 1994. Logo depois, permaneceu no órgão como profissional comissionada e foi nomeada inspetora efetiva em 2008, após aprovação em concurso público. Desde então, passou pela Casa de Custódia de Vila Velha (CASCUVV), foi diretora da Penitenciária de Segurança Máxima I e do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC), além de atuar na Diretoria de Segurança Penitenciária (DSP).

Além de Mara Lúcia de Paula, a servidora Alessandra Rodrigues Costa, desde 2010, também comanda o Centro de Detenção Provisória de São Mateus (CDPSM), que faz a custódia de presos masculinos. Ela ingressou na Sejus como inspetora contratada em setembro de 2006, sendo nomeada inspetora efetiva em agosto de 2008, por meio de concurso. Desde então, passou pelo Centro de Triagem de Viana, Diretoria de Segurança Penitenciária (DSP), chefe de Segurança no CDP de São Domingos do Norte até assumir a direção do CDP de São Mateus.

“Ao ingressar na Sejus o primeiro desafio foi sair do interior de Barra de São Francisco e aprender a viver longe de meus pais. Em seguida, vencer o medo e a insegurança em cumprir a missão em mim confiada pela Secretaria de Justiça. Mas com apoio das chefias imediatas e de grandes amigos e colegas de trabalho tudo foi acontecendo positivamente. No dia a dia a equipe do CDP de São Mateus ganhou forma, formação e qualificação. Por isso, afirmo com muita certeza que um bom gestor se faz com uma ótima equipe”, lembra a servidora.

Segundo a inspetora, o trabalho realizado traz muita satisfação, mesmo atuando em uma unidade provisória, pois muito pode ser feito pela vida das pessoas que lá estão. “Hoje, após vivenciar esses 10 anos na direção CDPSM, confesso que é extremamente gratificante ver a unidade funcionando, ver a dedicação da equipe de profissionais em prol da vida do próximo e ainda enxergar neles um pouquinho do que um dia, bem lá atrás, era apenas um sonho. Ainda temos muito o que fazer, mas não posso deixar de sentir a sensação de dever cumprido”, comenta.

Ressocialização

Há quatro anos, Leizielle Marçal Dionízio é diretora da Penitenciária Agrícola do Espírito Santo (Paes), unidade masculina do regime semiaberto. Ela, que está na Sejus desde 2008, já passou por diversas áreas, entre elas, setor administrativo, coordenação e efetivação de escoltas, vigilância em muralhas. Já na área de gestão, atuou como chefe de equipe e de segurança.

“Posso dizer que nesses 12 anos de Sejus, pude deixar um pouco de mim e levar um pouco de cada profissional ou até mesmo reeducando que passou por mim. Mas nos dias atuais ainda me surpreende pessoas que visitam a unidade prisional e se espantam em ver uma mulher diretora de um presídio masculino”, conta Leizielle Marçal Dionízio.

Mas, segundo ela, esse conceito cai por terra assim que os visitantes passam a conhecer a unidade. “Tenho uma equipe competente e maravilhosa ao meu lado e, obviamente, não sou a responsável pelos ganhos sozinha. Os projetos premiados no Humaniza são um exemplo desse trabalho em equipe. Dentro da unidade precisamos planejar e executar políticas capazes de auxiliar as legislações em vigor a fim de promover mudanças de pensamentos nas pessoas em privação de liberdade do Estado. Esse é um grande desafio. Tenho presenciado inúmeras histórias de mudança efetiva com pessoas que passaram por nós e que se tornaram pessoas de bem”, avalia.

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