Motoristas terão de fazer curso sobre igualdade de gênero para ter habilitação na Argentina


A Agência Nacional de Segurança Viária da Argentina vai obrigar os futuros motoristas do país a estudar o curso de igualdade de gênero que inclui assuntos como desigualdade entre homens e mulheres, machismo estrutural, misoginia, feminicídio e a presença da mulher no setor de transportes.

A medida já está em vigor e pretende combater a violência contra a mulher no trânsito.

De acordo com reportagem de Vitor Paiva, do Hypeness, o uso do curso para habilitação como meio para se ensinar sobre identidade e violência de gênero, entre tantos outros temas dentro do universo, é um exemplo interessante sobre como combater problemas estruturais.

“As grandes mudanças socioculturais e tecnológicas produzidas através dos anos trouxeram consigo a necessidade de adaptar os conteúdos dos cursos de formação, como assim também do exame teórico, motivo pelo qual faz-se necessário a reformulação de tais conteúdos, a fim de garantir a inserção na via pública de condutores idôneos e responsáveis, com conhecimentos atualizados em relação às novas tecnologias automotivas e principais regras para uma condução segura e eficiente”, escreve a resolução publicada no Diário Oficial da Argentina.

Entre os tópicos a serem estudados no curso, estão Masculinidades: patriarcado e heteronormatividade; Mitos sobre a violência; Feminicídios, Transfeminicídios; e Crimes de Ódio’, em temas como ‘Recursos, ferramentas e formas de abordagem contra a violência na condução de veículos e no transporte; Acesso e participação de mulheres; e diversidades no setor de transporte, entre outros.

O Ministério do Transporte da Argentina ainda irá publicar um ‘Manual Especial‘ para transformar as placas de trânsito a partir da perspectiva da igualdade de gênero – traduzindo as placas atuais para uma linguagem inclusiva, com gênero neutro e alterando as terminações em ‘a’ e ‘o’ para ‘e’.

“O documento promove, entre outras coisas, o uso da linguagem inclusiva, reconhecendo e visibilizando as mulheres e a diversidade, coletivos até agora invisibilizados no setor do transporte, fruto dos estereótipos e das limitações culturais vinculadas com competências supostamente masculinas”, afirma o texto.

(Foto: Reprodução)

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