Motorista que matou jovem em acidente no ES bebeu e tentou fugir, diz polícia

Wagner Nunes na delegacia após o acidente

As investigações da Polícia Civil apontam que o motorista que matou a jovem Amanda Marques, de 20 anos, em um acidente ingeriu bebida alcoólica e tentou fugir do local do acidente, na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha, Grande Vitória.

Wagner Nunes de Paulo foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil nesta segunda-feira (26).

A batida aconteceu no final da tarde do dia 17 de abril. Amanda e o namorado, Matheus Jose Silva, de 23 anos, haviam saído da casa da mãe da jovem, no bairro Jockey, e seguiam de moto para o bairro Divino Espírito Santo, onde moravam, quando ocorreu o acidente.

Matheus pilotava a moto no momento em que o carro dirigido por Wagner atingiu a traseira do veículo. Amanda morreu no local, enquanto Matheus foi levado para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência, em Vitória, onde permaneceu internado por 10 dias.

Segundo o levantamento da Delegacia de Delitos de Trânsito que a reportagem teve acesso, o motorista sequer tentou parar o carro após colidir e seguiu em frente. Somente a uma distância de 50 metros do local da batida e de ter arrastado a moto e as vítimas, o veículo parou.

Testemunhas contaram à polícia que Wagner chegou a tentar arrancar novamente com o carro, porém, foi impedido por outros motoristas que pararam no local para ajudar os envolvidos na batida.

Amanda Marques, 20 anos

Wagner se recusou a realizar o teste do bafômetro solicitado pela Polícia Militar e não foi conduzido para o exame toxicológico pelo delegado de plantão na Delegacia Regional, procedimento esperado em casos em que há suspeita de embriaguez pelo relato de testemunhas.

Também não consta nos autos o autor de constatação de alteração psicomotora que deveria ter sido realizado pelos militares envolvidos na situação.

O delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, Maurício Gonçalves, encaminhou o procedimento às corregedorias das polícias Civil e Militar para apurar as condutas dos policiais e delegado envolvidos na ocorrência.

A Polícia Militar informou que até o momento não recebeu qualquer documento relativo ao fato e, após tomar conhecimento de todo o conteúdo das peças que envolvem o acidente de trânsito e que foram encaminhadas à Corregedoria, irá instaurar o devido procedimento apuratório.

A Polícia Civil disse que a Corregedoria apurará os fatos narrados no relatório do inquérito policial.

Bebida

As investigações da Delegacia de Delitos de Trânsito apontaram que Wagner esteve por volta das 14h em uma distribuidora de bebidas onde comprou dois latões de cerveja, em Praia das Gaivotas, e seguiu para uma festa em um apartamento. Com amigos, ele apareceu em fotos segurando um copo com o que aparenta ser cerveja.

No relatório de conclusão do caso, o delegado Maurício Gonçalves observou que a roupa que Wagner usa nas fotos é a mesma com a qual ele foi flagrado no acidente e permaneceu até ser levado para o Centro de Triagem de Viana, onde segue preso.

Gonçalves explicou que o motorista agiu de forma dolosa, ou seja, com intenção de provocar o acidente, ao ingerir bebida alcoólica, dirigir embriagado, não frear após a batida, matar Amanda e provocar lesões em Matheus. Ainda são atribuídas as condutas de tentar fugir do local do acidente e arrastar as vítimas.

Em relatório, o delegado adjetivou a atitude como egoísta. “O condutor busca a satisfação de seus desejos sem se preocupar com as reprováveis consequências de seus atos”, pontuou.

Indiciamento

No dia do acidente, a Polícia Militar levou Wagner para a Delegacia Regional de Vila Velha, onde o delegado de plantão o autuou em flagrante por homicídio culposo – quando não há intenção de matar – na direção de veículo automotor.

O delegado de plantão também arbitrou uma fiança de R$ 10 mil, que não foi paga e Wagner foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana. No mesmo dia, a prisão foi convertida em preventiva pelo magistrado de plantão.

Agora, após as investigações da delegacia especializada, Wagner responderá pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil. O delegado Maurício Gonçalves também pediu à Justiça a suspensão da carteira de habilitação e a manutenção da prisão preventiva.

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