Morando no Rio de Janeiro, veneciano encontra família biológica após 60 anos de separação

Depois de muito procurar, finalmente o Seu José Capeleto encontrou sua família de sangue e já veio visitar. O resultado: “Vou juntar dinheiro para retornar a Nova Venécia e encontrar todos novamente, é muita emoção, achei que nunca mais iria encontrar o povo sangue do meu sangue”

Reportagem: Cintia Zaché / Rede Notícia / Nova Venécia


A Notícia tem uma de suas marcas, contar histórias emocionantes e, hoje, mais uma vez, o veículo disponibiliza o espaço, para contar a história do seu José Capeleto, 62 anos, que há mais de seis décadas, não tinha contato algum com sua família biológica. Adotado e morando em Niterói, no Rio de Janeiro, o seu José veio a Nova Venécia no último fim de semana, para um reencontro com quem ele não fazia ideia que existia: primos, tia, sobrinhos, e até os irmãos. “Foi emocionante, o sangue puxa, vi aquele monte de gente, sangue do meu sangue. Encontrei a minha tia Cecília, que está com 85 anos, irmã da minha mãe, veja que maravilha, vi alguns irmãos, primos, isso não tem dinheiro que pague, é muita emoção. Tem 60 anos que sai de Nova Venécia”, fala seu José.

O momento do encontro entre o veneciano, que não conhecia ninguém de sua família biológica, aconteceu na casa da auxiliar de cozinha, a Marlene Santos, 54, moradora do bairro Municipal I, e que é prima do seu José. Foi ela quem deu estadia ao aposentado, a filha, o genro e dois netos, que saíram de carro próprio por volta das 5h da manhã da cada deles, e chagaram a Nova Venécia no mesmo dia a noite. “Foi emocionante, eu não sabia da existência dele, choramos juntos de emoção, minha casa sempre estará aberta para quando ele quiser vir, agora não nos largamos mais”, conta Marlene, em meio a chora de emoção.

A chegada a Nova Venécia
Para recepcionar o primo, Marlene preparou comidinha caseira na sexta-feira, que emendou no sábado e domingo. “Fiz galo caipira, pudim, churrasco, juntaram mais de 30 pessoas em minha casa, foi chegando parentes e vizinhos, todos queriam o conhecer”, fala Marlene.

O que o seu José não esperava, era que iria encontrar os irmãos, que moram em Pinheiros. “Minha tia (mãe do seu José) casou novamente e constituiu nova família. Conseguimos o contato deles e aí, a alegria foi completa. Veio o irmão, irmã, sobrinho e foi maravilhoso”, diz a Marlene.

O reencontro
Quando ainda tinha dois anos, seu José foi entregue para adoção e criado pela família adotiva, que se mudou para Niterói, no Rio de janeiro. Tendo sido registrado no município de Boa Esperança, o aposentado ainda tinha os documentos do cartório.

Foi aí que, há cerca de 15 dias, o genro dele, o Elias, resolveu procurar pela família biológica do sogro, justamente nesse cartório. Ao entrar em contato com o cartório esperancense, a coincidência foi maior ainda: um familiar dele, a Sabrina, trabalha lá. “Ela entrou em contato comigo e falou que ele estava procurando por nossa família, perguntei a minha mãe e ela confirmou a história da adoção. A partir daí, não paramos mais de nos comunicar e ele veio ao nosso encontro, foi tudo muito rápido”, relata.

O aposentado conta que desde 2014 vinha procurando a família biológica. “Eu tinha parado um pouco de ir atrás, fiz contato com várias pessoas com sobrenome Capeleto, mas não batia com minha história, achei que não fosse os achar, mas a vida me proporcionou essa alegria depois de tanto tempo”, fala.

Seu José afirma que nasceu em Nova Venécia, mas que a história que soube foi que, a família que o adotou, que também morava em Nova Venécia, foi embora para Boa Esperança e depois mudou-se para o Rio de Janeiro. Eles me adotaram com o mesmo nome e sobrenome da minha família biológica, fui registrado em nome da minha mãe de sangue”, explica.

A mãe biológica do seu José já é falecida há 16 anos, e chamava-se Luzia Capeleto, que era irmã da mãe da Marlene, a dona Cecília, sendo as duas, filhas da dona Maria Lavanhole (In Memória).

Seu José, que hoje utiliza cadeira de rodas por conta de uma enfermidade que teve há alguns anos, foi adotado por Meoquidas da Silva Torres e a esposa, a dona Maria. O casal teve quatro filhos biológicos. No Rio de janeiro, antes de se aposentar, seu José era pedreiro, já é casado pela segunda vez, tem quatro filhos e sete netos. “Vou juntar dinheiro e visitar minha família em Nova Venécia de novo. Eu só tenho a agradecer, fizeram tudo por mim, fui tratado igual a um príncipe, me acolheram sem nunca terem me visto. Quero voltar e ver todos novamente e mais os outros que ainda não conheço, são meu sangue”, finaliza.

 

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