Ministério Público da Bolívia aceita denúncia de genocídio contra Jeanine Áñez


Opera Mundi – O Ministério Público da Bolívia informou, na útlima segunda-feira (05), que aceitou uma denúncia pelo crime de genocídio contra a ex-presidente autoproclamada Jeanine Áñez no âmbito dos massacres de Senkata e Sacaba.

Segundo o documento oficial, o Procurador-Geral do Estado, Juan Lanchipa, admitiu a proposta de denúncia contra Áñez por “ferimentos graves e leves seguidos de morte” e por genocídio. 

Em 2019, cerca de 30 pessoas foram assassinadas e centenas ficaram feridas após agentes das forças armadas reprimir protestos que ocorriam nas cidades de El Alto, Senkata, Cochabamba e Sacaba pelo retorno ao poder do presidente Evo Morales, forçado a renunciar dias antes devido a um golpe de Estado.

Com a admissão da proposta acusatória e apreciada pelo Ministério Público no começo de julho, a procuradoria tem 30 dias úteis para determinar se há fundamento legal para a denúncia contra a direitista. Depois de passar para o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), o processo segue para a Assembleia Legislativa Plurinacional, que deverá analisar se o julgamento de responsabilidade contra Áñez é cabível.

Gloria Quisbert, que preside uma associação com familiares das vítimas dos massacres, saudou de imediato a admissão do processo e disse estar esperançosa de que o ocorrido seja investigado.

“Não tem esquecimento nem perdão”, declarou Quisbert em relação ao que Áñez e seu ex-ministro Arturo Murillo fizeram: na ocasião, houve a aprovação do Decreto Supremo 4.078, que isentou militares de responsabilidade pela repressão ao povo nas manifestações de 2019 e que, segundo ela, permitiu “fuzilar gente pobre e humilde”.

“Não temos medo e vamos até às últimas consequências para que o caso seja apurado, para esses jovens que morreram em Senkata, queremos que seja investigado em profundidade. Esta não é uma organização política ”, disse Quisbert.

O diretor nacional do Serviço Plurinacional de Atendimento à Vítima, Tito Tornero, considerou, por sua vez, que a admissão da proposta acusatória no Ministério Público é “uma grande conquista” após um longo processo de recolha de provas.

Áñez está sob custódia preventiva desde março sob a acusação de terrorismo, sedição e conspiração por conta do golpe de Estado que retirou Morales da Presidência. Ela também está sendo investigada pela compra de gás lacrimogêneo usado para reprimir protestos populares.

A ex-presidente autoproclamada também está envolvida em outros processos relacionados a abuso de poder, suborno e tráfico de influência, segundo autoridades judiciais.


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