Mineração aporta 80% do saldo comercial do País

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O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) divulgou dados sobre o desempenho do setor mineral durante 2021. O saldo comercial mineral somou quase US$ 49 bilhões, 21,5% a mais que no ano anterior. Segundo o IBRAM, o saldo mineral é a diferença entre as exportações e as importações de minérios e no ano passado equivaleu a 80% do saldo comercial brasileiro, que foi de US$ 61 bilhões. Em 2020, o saldo comercial mineral equivalia a pouco mais de 64% do saldo comercial brasileiro.

Os resultados foram puxados pelo minério de ferro, com receita 47,5% superior a 2020, além das altas de outras commodities, como cobre (52%) e alumínio (45%). Os dados referentes a 2021 da indústria da mineração do Brasil foram apresentados no dia 1º de fevereiro por Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do IBRAM, e por Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor, que estão deixando os cargos no mês. 

A produção mineral brasileira, em toneladas, cresceu cerca 7% em 2021 em relação a 2020, passando de 1,073 bilhão de toneladas para 1,150 bilhão de toneladas estimadas. No último ano, a variação de preços das commodities no mercado internacional impulsionou o faturamento do setor em 62%, na
comparação com 2020, crescendo de R$ 209 bilhões para R$ 339 bilhões. O instituto considera essa variação em toneladas estável, apesar de 2021 ter sido marcado pela demanda aquecida por commodities minerais e 2020 – ano de comparação dos resultados – tenha sido pontuado por paralisações temporárias em operações de mineração industrial. Os números finais de produção mineral de 2021 serão conhecidos a partir de março, diz o IBRAM. 

Dentre os estados, Minas Gerais obteve o maior crescimento, passando de R$ 76,4 bilhões (2020) para R$ 143 bilhões (2021), um acréscimo de 87%. O estado mineiro respondeu por 42% do faturamento total da indústria da mineração brasileira em 2021 – um ano antes, a participação era de 37%. “Minas Gerais ainda é muito forte em mineração e o será por muitos anos ainda. O estado teve o maior incremento de recolhimento de royalty em 2021 e é também o estado que mais vai atrair investimentos no setor até 2025, US$ 10,2 bilhões. A mineração é e será relevante para a economia do estado por muito tempo e tem sido exercida em acordo com normas internacionais de segurança operacional e sustentabilidade”, afirma Flávio Penido.

Na sequência, em termos de crescimento, estão a Bahia, com faturamento crescendo de R$ 5,7 bilhões para R$ 9,5 bilhões na comparação anual. “A Bahia tem anunciado muitos investimentos para viabilizar a mineração industrial sustentável e já colhe os dividendos dessa decisão favorável à expansão do setor mineral no estado. O mesmo vemos em outros estados, como Pará, Goiás e Mato Grosso”, diz Wilson Brumer. A terceira posição, em crescimento, ficou com o Pará, passando de R$ 97 bilhões para R$ 146,6 bilhões, uma alta de 51%, seguido por Goiás, com 36% de aumento, de R$ 6,3 bilhões para R$ 8,6 bilhões; Mato Grosso, com 35% de elevação, passando de R$ 4,7 bilhões para R$ 6,3 bilhões; e São Paulo, com 28%, indo de R$ 4,6 bilhões para R$ 6 bilhões.

Tributos e investimentos 

A elevação do faturamento do setor mineral em 2021 ajudou o setor a recolher mais tributos e royalties, como a CFEM. O aumento de tributos e encargos totais recolhidos foi superior a 62%, passando de R$ 72 bilhões em 2020 para R$ 117 bilhões em 2021. Somente em termos de CFEM o crescimento foi de quase 70%, indo de R$ 6 bilhões em 2020 para mais de R$ 10 bilhões em 2021 – um valor nunca antes registrado. 2.635 municípios recolheram CFEM em 2021, com destaque para os estados do Sudeste e do Sul, além da Bahia. 

Pará (R$ 4,8 bilhões) e Minas Gerais (R$ 4,6 bilhões) lideraram o recolhimento de CFEM em 2021. Minas registrou crescimento expressivo de 95% na arrecadação, enquanto o Pará, 55%. Embora em menor valor (R$ 175 milhões) do que os dois estados, a Bahia registrou elevação de 86% em comparação com 2020. A CFEM relativa ao minério de ferro mais uma vez foi destaque: R$ 8,7 bilhões, crescimento de 80% em relação a 2020 – o minério de ferro responde por 85% de todo o recolhimento de CFEM no país, em 2021. “Além desses resultados extremamente positivos para a arrecadação pública – União, estados e municípios – e para a geração de divisas, projetamos investimentos de mais de US$ 41 bilhões até 2025. Assim, é factível considerar a indústria da mineração como um dos setores que mais está prestando contribuições para fomentar o desenvolvimento e o crescimento do país”, afirma Wilson Brumer. São investimentos de cerca de US$ 6 bilhões em projetos socioambientais até 2025. Outras ações e iniciativas socioambientais correspondentes a mais de 50 temas serão executados até 2030 pelo setor, com aportes que ultrapassam US$ 18 bilhões.

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Em relação às perspectivas para o setor nos próximos anos, os resultados apurados pelo IBRAM são indicadores de estabilidade e manutenção de bom desempenho, por conta de diversos fatores, como a China comprar menos minério de ferro em 2021, em relação a 2020 (redução de cerca de 4,3%); por outro lado, a China aumentou a compra de minério de ferro do Brasil em 15%: 243 milhões de toneladas em 2021 ante 212 milhões de toneladas em 2020. A busca por diversificação de fornecedor para diminuir a dependência da Austrália e a preferência por minérios de melhor qualidade para a redução das emissões na produção siderúrgica podem ser considerados como as principais razões para esse aumento.

A demanda por minerais fundamentais (como cobre, alumínio, níquel, entre outros) para as novas tecnologias de energia limpa tem sido crescente, ao passo que não se observa o mesmo movimento em relação às ofertas mundiais. Com isso, a perspectiva é que o setor mineral continue com bom desempenho em 2022 e nos próximos anos. A produção mineral deve se manter estável, com leve crescimento nos próximos anos. Vale ressaltar, entretanto, que o desempenho de qualquer setor econômico depende das conjunturas nacionais e mundiais.

Em relação às commodities, o minério de ferro registrou o maior faturamento em 2021: R$ 250 bilhões (80% a mais do que em 2020); seguido pelo ouro, com faturamento de R$ 27 bilhões (16% a mais); cobre, com quase R$ 18 bilhões (29% a mais); bauxita R$ 5,2 bilhões (16% a mais); granito R$ 4,2 bilhões (32% a mais); calcário dolomítico R$ 6,2 bilhões (47% a mais). O minério de ferro responde por 74% do faturamento da indústria da mineração em 2021 (era 66% em 2020), seguido pelo ouro (8%) e cobre (5%). 

As exportações de minérios somaram US$ 58 bilhões em 2021, quase 59% a mais do que em 2020 (US$ 36,5 bilhões). Foram 372 milhões de toneladas de produtos minerais exportados, 0,4% a mais do que em 2020. As importações de minérios cresceram 63%, passando de US$ 5,6 bilhões para US$ 9 bilhões.

As exportações de cerca de 358 milhões de toneladas de minério de ferro em 2021 totalizaram quase US$ 45 bilhões, resultado acima do ano anterior. Em 2020, a exportação de cerca de 342 milhões de toneladas de minério de ferro totalizou quase US$ 26 bilhões. Foi um incremento de 73% em US$ e de quase 5% em toneladas. As exportações de 104 toneladas de ouro em 2021 totalizaram US$ 5,3 bilhões, com 8% de crescimento em dólar e de 5% em toneladas. Segundo o IBRAM, houve aumento na exportação, em dólar, para cobre (40%), nióbio (39%), pedras de revestimentos (35,5%), bauxita (8,5%), além de ouro (8%), na comparação com 2020. Houve queda para caulim (-2,3%) e manganês (-50,5%), em US$ e em toneladas. Minério de ferro, ouro e cobre foram responsáveis por 91,8% das exportações em dólar no ano passado, informa o IBRAM.

Os principais compradores de minério de ferro do Brasil são China (68%); Malásia (6,4%); Japão (3,6%), enquanto os maiores importadores de ouro são Canadá (31,4%); Suíça (24,5%); Reino Unido (14,5%). Os principais importadores de cobre brasileiro são Alemanha (23,5%); China (14%); Espanha (12,4%).

As importações de minérios tiveram variação positiva entre 2020 e 2021.  Em 2020 o país importou pouco mais de 38 milhões de toneladas, no valor de US$ 5,6 bilhões; em 2021 importou mais de 44 milhões de toneladas, no valor de US$ 9 bilhões. O Brasil importou maiores volumes em potássio (14%), carvão (25%), pedras e revestimentos (38%), zinco (68%) e rocha fosfática (3%). O maior valor de importação coube ao potássio = quase US$ 4,3 bilhões. O potássio foi responsável pela maior parcela das importações minerais (47%), seguido pelo carvão (30,6%).

O Canadá e a Rússia são os principais fornecedores de potássio para o Brasil; Colômbia e EUA são os principais fornecedores de carvão.  
Dados oficiais do governo federal (Novo CAGED) indicam que foram geradas 14.869 vagas de janeiro a novembro de 2021. Assim, em novembro, o setor mineral registrava mais de 200 mil empregos diretos.

Foto: Brasil Mineral/DivulgaçãoFoto: Brasil Mineral/Divulgação

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