Mesmo com câmeras, criminosos arrombam lojas e dão prejuízo a comerciantes no Centro de Vitória

Vítimas contam que os assaltantes se passam por moradores de rua para evitar a abordagem policial e usam panos e papelões para esconder os produtos do roubo.

Por Fábio Linhares, G1 ES

Os assaltos e arrombamentos ao comércio do Centro de Vitória têm sido cada vez mais frequentes durante o isolamento social, segundo moradores. Mesmo com as câmeras instaladas na região, que flagram diversas ações criminosas, suspeitos aproveitam as ruas vazias por causa da pandemia para invadir lojas, cometer roubos e causar uma série de prejuízos.

Os comerciantes contam que os criminosos costumam agir de madrugada e se passam por moradores de rua, carregando panos e papelões, para evitar a abordagem policial.

“Como a cidade está vazia, eles expulsam os que estão dormindo no local e ocupam para fazer os arrombamentos. Eles vêm com cobertores, que também servem para esconder os produtos. Às vezes, com papelão debaixo do braço, porque o policial, quando vê, a abordagem é mais difícil de ser feita”, considera o comerciante Eugênio Martini.

Salão de beleza já foi assaltado cinco vezes no centro de Vitória

Televisão escondida em pano

No assalto a um salão de beleza da região, que aconteceu na última terça-feira (14), o suspeito pegou a televisão do estabelecimento e enrolou em um pano para fugir do local. Para entrar, ele quebrou duas portas, uma de aço e uma de vidro, que protegem o estabelecimento.

A cabeleireira Rosângela Oliveira disse que não tem mais telefone celular, porque todos foram roubados.

“Dá vontade de fechar as portas de vez. A gente luta pra honrar o nosso compromisso e acontece isso, um prejuízo de quase R$ 3 mil. Numa situação dessa, sem movimento, como é que a gente vai arcar?”, questionou.

Além desse caso, Rosângela já registrou outros quatro assaltos ao estabelecimento dela. Mas nenhum deles foi resolvido.

“Não foi resolvido nada. Nem investigação. Eu faço minha parte como cidadã, pago minhas contas, mas segurança a gente não vê”, reclamou.

Prejuízo de R$ 7 mil

Nesta semana, além do salão de beleza, uma livraria que fica na mesma rua foi atacada pelos assaltantes.

Ambos os casos aconteceram durante a madrugada e foram filmados por câmeras de segurança, mas nem isso intimida os criminosos.

Uma das imagens mostra que eles se aproximam de moradores de rua que estão perto de uma loja, esperam a polícia passar e atacam o comércio.

“Estava tudo em desordem, principalmente o caixa e os terminais onde atendemos os clientes. Tinha pouco tempo que entramos na loja, ainda havia o medo de que eles ainda estivessem no local”, contou o dono da livraria, que não quis ser identificado.

Ele apontou que o prejuízo com o roubo deve ser de cerca de R$ 7 mil.

“Mesmo sabendo que com a vizinhança aconteceu, a gente nunca espera, nem deseja, que aconteça com a gente. Ontem foi a nossa vez e o trabalho fica cada vez mais tenso, é como se trabalhasse sob pressão”, desabafou.

Polícia

De acordo com a Polícia Militar, o patrulhamento foi reforçado em diversas regiões desde que o Governo do Estado determinou o funcionamento em horário especial do comércio, inclusive no momento em que as áreas comerciais estão fechadas.

Município

A Secretaria de Segurança Urbana de Vitória (Semsu) informou que a Guarda Municipal auxilia a Polícia Militar fazendo patrulhamento de rotina na região em todos os turnos e, além disso, possui uma base avançada no Centro de Vitória, na rua Caramuru, que funciona 24 horas.

Sesp

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado, apesar de a polícia e a Guarda Municipal não serem onipresentes e “o problema estar atrelado, principalmente, à população em situação de rua, que é um fator exclusivamente social, as forças policiais buscam atender aos anseios dos comerciantes da melhor maneira possível, com abordagens, rondas e pontos de bloqueio realizados periodicamente”.

A Sesp diz, ainda, que os dados de registros de ocorrência no local mostram uma queda significativa, de cerca de 48%, dos furtos em estabelecimento comercial na região, em comparação a 2020.

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