‘Melhor medida protetiva é a prisão’, diz secretário após jovem ser morta por ex a facadas

Rodrigo Pires Rosa, que matou Luana Demonier, de 25 anos, com 19 facadas, tinha dois mandados de prisão em aberto e responde a oito inquéritos.Vítima já havia relatado ameaças.

Rodrigo Pires Rosa, 38 anos, suspeito de matar a facadas a ex-namorada Luana Demonier, de 25 anos, se entrega à polícia no ES — Foto: Montagem/G1

Rodrigo Pires Rosa, 38 anos, suspeito de matar a facadas a ex-namorada Luana Demonier, de 25 anos, se entrega à polícia no ES — Foto: Montagem/G1

A revolta causada pela morte da jovem Luana Demonier, de 25 anos, levou o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Alexandre Ramalho, a questionar a lei e defender a prisão de suspeitos de violência contra a mulher como forma de evitar crimes graves, publicou o G1.

“A melhor medida protetiva para esses casos é esses monstros ficarem presos, atrás das grades. É importante a legislação mudar. Agrediu uma mulher, tem que efetivamente ficar preso, ele não merece conviver em sociedade”, disse.

Luana foi morta a facadas pelo ex-namorado no bairro Vila Capixaba, em Cariacica, na última terça-feira (9). Ela tinha medida protetiva contra o suspeito, Rodrigo Pires Rosa, de 38 anos, e, na noite do crime, mandou mensagem a amigas e acionou a polícia porque se sentiu ameaçada, mas ainda assim foi assassinada. Uma câmera registrou o crime.

Rodrigo tem uma extensa ficha criminal. Segundo a polícia, ele responde a oito inquéritos por violência doméstica na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Cariacica desde 2015. No Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) constam pedidos de medida protetiva contra o suspeito por cinco vítimas diferentes desde 2014.

De acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Rodrigo ficou preso em 2017 e em 2020. Na última vez, deixou o presídio por meio de um alvará da justiça, em setembro do ano passado.

“Dois meses depois, ele atentou contra a vida de outra jovem e não conseguiu consumar o homicídio. Saiu um novo mandado de prisão e as polícias foram ao encalço dele, mas não conseguiram localizá-lo. Lamentavelmente, a PM não consegue atender as 11 mil medidas protetivas e fazer a segurança particular dessas jovens”, argumentou o secretário de Segurança.

Rodrigo foi preso nesta quarta-feira (10) ao se entregar em uma delegacia. Ele confessou o assassinato de Luana e foi autuado em flagrante por homicídio duplamente qualificado.

Na manhã desta quinta (11), passou por uma audiência de custódia e vai permanecer preso. Na decisão, a juíza Raquel de Almeida Valinho disse que a soltura de Rodrigo seria temerária e, caso fosse solto, ele poderia voltar a cometer os mesmos crimes, intimidar testemunhas e fugir.

O advogado criminalista e professor de processo penal Rivelino Amaral acredita que a medida protetiva é um avanço no combate à violência contra a mulher, mas também defende a mudança na legislação. Para ele, o histórico de violência era suficiente para manter a prisão de Rodrigo.

Para ele, muitos feminicídios seriam evitados se a lei considerasse crime os primeiros sinais de violência contra a mulher, como a perseguição.

“76% das vítimas de feminicídio foram perseguidas obsessivamente antes de serem mortas, isso é um grande indicativo e, infelizmente, esse crime não existe no nosso código penal, não existe o crime de ‘stalkear’. Nesse caso, levando em consideração o histórico desse agressor, que tem processos de crime de mesma natureza, certamente a prisão dele seria a medida mais cabível”, disse.

Em dezembro do ano passado, Luana e as outras duas ex-companheiras de Rodrigo haviam relatado os episódios de violência e de ameaças em reportagens do G1 e da TV Gazeta.

As mulheres se uniram para denunciar o homem após uma delas, com quem Rodrigo se relacionou por último, ter sido perseguida por ele pelas ruas do bairro Nova Rosa da Penha, também em Cariacica.

Rodrigo Pires Rosa, 38, aparece perseguindo ex-companheira com uma faca em Cariacica.

Rodrigo Pires Rosa, 38, aparece perseguindo ex-companheira com uma faca em Cariacica.

Um vídeo, registrado em novembro do ano passado, mostra o homem correndo atrás da mulher com uma faca. Ela só consegue fugir dele ao entrar dentro de uma casa, onde foi protegida pelos moradores.

No dia em que foi morta, Luana mandou uma mensagem às duas mulheres dizendo que percebeu Rodrigo a perseguindo.

“Eu não ia contar nada para vocês, porque estou resolvendo com os policiais da Maria da Penha (referência à Lei Maria da Penha, que prevê punições em casos de violência doméstica), mas o Rodrigo me perseguiu hoje de manhã de novo”, disse Luana no áudio.

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