Marine Le Pen é reeleita presidente de seu partido de extrema-direita na França


Da RFI A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, foi reeleita neste domingo (4) para um quarto mandato como presidente de seu partido, Reagrupamento Nacional (RN), durante a Convenção da sigla em Perpignan (sul). Candidata única à própria sucessão, ela recebeu 98,35% dos votos dos militantes. O jovem Jordan Bardella, de 25 anos, foi eleito primeiro vice-presidente do RN e irá assumir as rédeas do partido durante a campanha presidencial de 2022.

Apesar da recente derrota nas eleições regionais, as pesquisas ainda indicam Marine Le Pen no segundo turno da presidencial em duelo contra o chefe de Estado centrista, Emmanuel Macron. O RN parecia destinado a ganhar terreno nas eleições regionais do mês passado, mas não conseguiu vencer em nenhuma das 13 regiões da França continental.

Esse resultado levantou dúvidas sobre a estratégia de Le Pen de “limpar” a imagem da formação e se posicionar mais como um partido convencional de direita. Os eleitores tradicionais do RN boicotaram as urnas, contribuindo para uma taxa de abstenção recorde (66%). Os simpatizantes lepenistas mais radicais não se enxergam mais no discurso ponderado adotado pela líder, visando melhorar sua aceitação e aumentar sua base eleitoral. 

Os militantes do RN também votaram na composição do chamado Conselho Nacional (uma espécie de parlamento partidário) e o candidato eleito com mais votos foi o número dois da formação, Jordan Bardella. Será este jovem, um protegido de Le Pen, que a substituirá temporariamente por 12 meses, enquanto ela irá se dedicar às presidenciais de abril de 2022. No sábado (3), os militantes aprovaram uma reforma dos estatutos permitindo, justamente, a presidência temporária do RN por 12 meses em caso de campanha presidencial.

Em declarações à imprensa, Le Pen, de 52 anos, disse que se sentia “extremamente combativa” para sua terceira candidatura à presidência francesa. “Não tenho dúvidas sobre o que deve ser feito pela França”, disse.

As pesquisas apontam um novo duelo entre a populista e Macron, que a superou com folga no segundo turno das eleições de 2017. Mas as regionais abalaram esse cenário. As aspirações de Le Pen foram frustradas, mas também as de Macron, cujo partido A República em Marcha colheu os piores resultados entre as principais legendas.

Novos candidatos podem mudar cenário

Os vencedores das eleições regionais foram as formações tradicionais de direita e de esquerda, Os Republicanos e o Partido Socialista, que haviam sido esmagados pelo fenômeno Macron em 2017 e que agora parecem recuperar terreno. Tanto o presidente quanto Le Pen minimizaram esse revés, argumentando que as eleições regionais não servem para prever os resultados nacionais.

As últimas pesquisas mostram que ambos passariam para o segundo turno das eleições presidenciais, nas quais Macron venceria por uma boa margem sobre Le Pen. Ainda assim, o surgimento de um candidato forte na direita tradicional poderia ser uma dor de cabeça tanto para o presidente de centro quanto para os esperançosos da extrema direita. Uma segunda candidatura de extrema direita, no caso do jornalista Eric Zemmour, também poderia atrapalhar os planos de Le Pen, dividindo o eleitorado nacionalista.

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Em manifesto, atirador da Nova Zelândia diz que derrota de Marine Le Pen motivou ataque (Foto: REUTERS/Yves Herman)

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