MARCO FELICIANO E A DITADURA DA MAIORIA

 

 

O cara da história não sou eu.

O cara da história não sou eu.

Nas democracias o parlamento representa o povo, através de eleições livres. É eleito aquele candidato cujas ideias são as mesmas de quem o elegeu. Desta forma toda decisão do deputado ou senador é em favor daqueles que o alçou ao poder. Na teoria é bonito, mas a prática mostra outra coisa. Na hora H quem manda mesmo é o lobby (do inglês – é o nome que se dá à atividade de pressão de grupos, ostensiva ou velada, com o objetivo de interferir diretamente nas decisões do poder público, em especial do Legislativo, em favor de interesses privados). É a bancada dos ruralistas, dos evangélicos, dos ambientalistas, dos banqueiros, etc. cada um defendendo o seu pirão.

 

O problema que muitas bandeiras são levantadas durante as eleições para convencer ao eleitor a ter o seu deputado ou senador. É muito comum candidato se apresentar para dizer que “querem” fechar as igrejas. Na verdade o que se discutia era a poluição sonora, atingindo a norma também aos bares, boates, etc. Também vamos defender a família, votando contra casamentos de pessoas do mesmo sexo, aborto, etc.

 

Na verdade, na democracia o que se vê mesmo é a “ditadura da maioria” – rotulação dada aos sistemas políticos nos quais a maioria dita as regras, sem apelo por justiça ou eqüidade. Seu principal problema é o desrespeito às minorias e opiniões discordantes, requisitos considerados essenciais para a Democracia.

 

O deputado Pastor Marco Feliciano virou tema recorrente. Ele, da bancada dos evangélicos, foi eleito para presidir uma comissão, onde, dentre tantos temas, tem a questão da defesa das minorias frente ao que se chama de “ditadura da maioria”. O problema é que as minorias entendem que Marco Feliciano não possui o perfil para o cargo, pois no passado já se posicionou de forma a afrontar os direitos destas minorias. É evidente que o discurso de defensor “da moral e dos bons costumes” sempre vai ter o apoio de um grupo maior e os defensores de assuntos considerados “tabus” vão ter o apoio da minoria.

 

A República de Platão já vislumbrava a “Democracia desvirtuada” como o lado negativo do sistema democrático.

 

Existe perigo nos regimes ditatoriais, mas também há perigo na “democracia da maioria”. O regime nazista foi o que mais se destacou o poder absoluto da maioria, na Alemanha, a partir da eleição de Adolf Hitler. Ele, com amplo apoio popular, passou o rolo compressor em muitos direitos individuais e fez perseguição aberta a minorias religiosas e raciais. Todo mundo viu no que deu.

 

O Estado brasileiro é laico e o poder político não pode passar pelo poder religioso. Uma coisa é o direito a expressão e outro é liderar ações que atentam contra os direitos individuais. Para se conseguir viver em sociedade é preciso que as regras permitam a convivência dos diferentes. Dos que acreditam no Deus de Marco Feliciano, do Papa Francisco, do Dalai Lama e dos que não acreditam em nada.

 

“Até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens. (Friedrich Nietzsche)

 

Texto: Creumir Guerra
Creumir Guerra é Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo

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